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Archive for the ‘Crônicas&Reflexões’ Category

És muito liberta,

Eu não sou.

És sadia,

Tenho cá minhas doenças.

Sabes amar,

Tenho dúvidas.

Sabes deixar,

Tenho esperas.

Dizes me ver

Me disfarço, 

 

E por não acreditar que me vias,

Te surpreendo.

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Na dúvida
assanhe-se
acenda-se
consulte-se
espraie-se
escove-se
até se cumprir

 

Na métrica
dilua-se
ejete-se
alpendre-se
requebre-se
guitarre-se
até musicar

 

Na guerra
fornique-se
exponha-se
recolha-se
belisque-se
floreie-se
volte pra si

 

No sangue
espade-se
dilua-se
injete-se
lambuze-se
vermelhe-se
até escorrer

 

Na folha
assanhe-se
dilua-se
fornique-se
ejete-se
injete-se
jubile-se
mergulhe-se
console-se
destrua-se
refaça-se
reflita-se
duvide-se
lambuze-se
digite-se
até escrever.

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No post abaixo, o retorno do menino, narrador de O Rio Que Corre Estrelas, à fazenda de sua infância muitos anos depois. Este texto não faz parte da edição do livro publicado em 2012.

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Me pergunta um valor e eu te digo: coragem. Talvez a maior qualidade. A coragem não exclui o medo, ao contrário, procede dele e o encara no olho. Algumas vezes reconheço: sim, é coragem. Boa parte do tempo, porém, não distingo atos de coragem de gestos inconsequentes. É difícil distinguir intenções, discriminar atitudes, e eu me distraio. Tantas vezes fico mais atento à coxia do que ao que se apresenta no palco. Quantas falas admiráveis que só sobrevivem à luz adequada, ao cenário preciso, à agilidade de um contra-regra habilidoso; textos fluentes encobrindo intenções desprezíveis.

Da mesma forma, não acho fácil diferenciar intuição das neuroses cotidianas; estou intuindo, ou enlouquecendo?! ‘Siga a sua intuição’ é a frase fatigada. E há tanta gente intuindo, intuindo, intuindo…e apontando o dedo…’bem que eu senti!’

Já sei: há outro conhecimento correndo em paralelo, linhas de lápis ligando os pontos pretos pra formar o desenho. Metafísica, não é? Magia, chacras, terceiro olho, almas gêmeas, pelos eriçados, coisas assim. Eu estanco. Quando alguém me toca de determinada maneira, antes de sentir o que isso me provoca nos pelos e na pele, evocam-me meus próprios códigos e o que eles apresentam. E então duvido do arrepio. Como nunca conheci o amor à primeira vista, e por ter conhecimento da vulgaridade dos sentidos, mesmo quando me emocionei a um primeiro encontro jamais fui além do arremedo de mágica. Se, insistente, sigo atrás do surreal, a vida real me encontra na esquina em luvas de boxe.

Trata-se de luta perdida. Ainda assim, sigo contente, posso dizer. Alegre e insistente – condição indispensável ao contentamento. Por temperamento, destino, configuração astrológica, o leite da mãe, a alienação do espírito, um motivo qualquer. Isto dito à meia voz, porque se falo alto, faz-se a rebelião, ouvidos ouvem. E, daqui, alevantam-se gigantes, fantasmas e espectros. Espantalhos à minha caça para revelar a mentira e abater o galho onde me encontro, e, na queda, me apresentar a mim mesmo, exigindo que me identifique com alguém de quem ignoro, se não gestos, intenções e interiores.

Para me proteger, fechar as cortinas e buscar lá fora algum sol é que digo simplesmente ôi! e sigo em frente, a passos largos, assoviando singela modinha, como se apenas batesse o pó e limpasse as lentes dos óculos na barra da calça.

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Continuo postando fragmentos que não entraram na edição final de O Rio Que Corre Estrelas:

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bíblico

Saí `a tua procura. Fui do Gêneses ao Apocalipse, e você não estava em livro nenhum.

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Aqui, o comentário de Domingos ao post em sua homenagem. Escrito no dia 08 de março de 2010.

‘Meninos… nada me deixou mais feliz, nesses tempos de difícil transposição, do que entender que nem tudo foi perdido e que com a nossa singular e pouco virtuosa participação nesse mundo de Deus, pudemos conquistar a consideração de quem realmente nos é marco e referencial na vida. Se pudemos desenvolver bem nosso papel, uma parte pode ter sido graças ao engenho e arte de onde e como as coisas se deram ou da genética latina, quem sabe?, (embrulhada por natureza), mas com certeza o melhor veio daquele que sempre nos dirigiu em cena, nos estimulando a ser melhor e a buscar dentro de nós o melhor que poderíamos oferecer de nós mesmos. Por isso sem nenhum constrangimento posso afirmar que conviver com vcs, em especial com Sanzoca, meu melhor amigo e a quem reputo amor, admiração e respeito, foi dos melhores presentes que recebemos da vida e que sempre nos deu norte, prumo, além de muita alegria…

Ah… como eu amo voces !!!’

 

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