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Archive for the ‘Conto’ Category

O casal parou no meio do caminho para repousar. Estavam ambos cansados de fugir. Abrigaram-se num estábulo, à beira de uma estrada deserta, e logo a mulher sentiu os primeiros sinais. Foi uma parada providencial, o momento e o lugar apropriados para a criança nascer.
Nessa noite, sob a luz vívida de uma estrela, a mulher sofreu intensamente as dores do parto. A madrugada ia alta quando, entre seus gemidos abafados, se distinguiu o choro do recém-nascido.
Para não repetir o erro, procuraram restos de madeira que havia por ali, separaram dois pedaços, preparando o ritual. Foram rápidos. O marido, carpinteiro, tinha muita prática.
Crucificaram o menino ali mesmo. Depois juntaram os animais e seguiram viagem.
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O casal parou no meio do caminho para repousar. Estavam ambos cansados de fugir. Abrigaram-se num estábulo, à beira de uma estrada deserta, e logo a mulher sentiu os primeiros sinais. Foi uma parada providencial, o momento e o lugar apropriados para a criança nascer.
Nessa noite, sob a luz vívida de uma estrela, a mulher sofreu intensamente as dores do parto. A madrugada ia alta quando, entre seus gemidos abafados, se distinguiu o choro do recém-nascido.
Para não repetir o erro, procuraram restos de madeira que havia por ali, separaram dois pedaços, preparando o ritual. Foram rápidos. O marido, carpinteiro, tinha muita prática.
Crucificaram o menino ali mesmo. Depois juntaram os animais e seguiram viagem. 

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sofia

Minha irmã tinha uma cachorra chamada Sofia, a quem amava bastante. Sofia morreu nesse final de semana que passou. A secretária do veterinário deu o telefone de um cemitério de animais. Minha irmã ligou.

A moça que atendeu informou que ali era a residência dela, nada a ver com cemitério. A irmã insistiu: ‘foi a fulana quem deu seu telefone’. A outra: ‘eu tenho vários bichos porque adoro animais, mas o quintal de casa é pequeno. O da vizinha, ao contrário, é enorme, então, quando algum dos meus morre, eu pulo o muro e enterro no fundo do outro quintal. O problema é que essa vizinha é muito chata e não gosta de bicho, por isso só dá pra fazer o enterro de madrugada, quando ela está dormindo. Se você quiser, vela um pouco mais a cachorrinha e aparece aqui lá pelas três da manhã, que a gente dá um jeito, tá?; e, olha, as velas deixa por minha conta; é promessa’

Minha irmã agradeceu e desligou o telefone. Resolveu não ir; parece que o muro era alto demais, e ela tem medo de altura.

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trampolim

– Você acha que estou bem assim?

– Ótima

– Ótima como?

– Do jeito que você está

– De que jeito estou?

– Você está legal; tudo certo

– Certo, como?! Você nem me viu direito…

– Como não? Vejo você há anos, esqueceu; quatro, cinco?!

– São seis, mas não é isso que estou perguntando. Você não acha que engordei de uns dias pra cá?

– Não, não parece

– Não?!

– Não. Por que? Engordou?

– Puxa, honey, aqui nos quadris, ó; essa calça nem me serve mais, você não percebeu?

– Aí nos quadris, foi?  Não, não tinha percebido

– Como não? Tô até barriguda, espia. Põe a mão aqui

– Imagina, você tá show

– Show?  Tô um monstro, meu! Foi a lasanha de ontem, tinha molho demais.

– Não exagera.

– Engordei, cara. Faz favor de olhar pra mim? Não tô aí na porcaria dessa revista. Estou aqui na tua frente, ó, ó, ó

– Ok

– Aqui, honey, tinha a bunda redonda, agora tá meio oval; olha isso…

– Qual o problema?

– Todos os problemas; não se faça de desentendido

– Por enquanto estou tentando me fazer entender

– A cara, que era oval, agora tá arredondando. Tô sofrendo uma metamorfose e você aí de olho nas motocicletas

– …

– Minhas pernas ainda estão legais

– Muito legais

– Também não exagera! Já foram melhores, mas ainda dão pro gasto

– Ô se dão!

– Você tá me achando fora de forma, não é possível; assume, vai

– Vamos andar no Villa Lobos. Te garanto que dois meses depois você vai se sentir ótima e teu jeans vai entrar mais fácil do que faca na melancia

– Dois meses depois, é? Então você acha mesmo que estou gorda?! Faca na melancia?! Ah, Nando, como você é dissimulado, como você é falso. Por que não assumiu de início que está me achando gorda, nojenta, baleia?

– Calma aí, honey, quem está dizendo isso é você…

– Olha, seu Fernando, eu quero que o senhor se dane, que o senhor se exploda, porque não tenho mais a menor paciência com você. Sempre querendo acabar comigo, sempre tentando me denegrir. Gordinha é sua avó, ouviu bem? Você nunca me enganou com este jeitinho compreensível, superior, filantropo

– Acabou?

– Não. Ainda não acabei, mas vou te dar uma chance, você não fala nada?

– Falo sim. Pra mim acabou. Quer que eu repita? Acabou, transbordou, explodiu! Quer que eu vá além? Você é maluca e eu não tô de saco cheio dos teus quilinhos a mais, mas dos teus neurônios a menos. Acreditar em tuas fantasias é prerrogativa da loucura, mas querer que eu embarque nessa, aí, hoooney, é subestimar demais o meu bom senso

– Muito bem, Sr Fernando, agora estamos falando a mesma língua. Quer dizer que além de gorda e louca o senhor também me acha burra…

– E o mais difícil é distribuir estes três atributos numa escala razoavelmente sequencial

– Seja mais claro, professor

– Agora ficou mais fácil; já sei o que deve vir em primeiro lugar

– Não me faz de idiota senão te sento a mão

– Isto mesmo: loucura, na segunda fila. Desequilíbrio. Consequência direta da falta de investimento neuronal, que ocupa a pole position. E, veja bem, o excesso de molho na lasanha de ontem não tem rigorosamente nada a ver com isso

– Você tá tentando tirar uma com a minha cara, ô imbecil!

– E nem precisei hierarquizar os dois gramas a mais. Eles sempre estiveram no terceiro escalão, sua tola

– Olha aqui, meu caro, dispenso sua pseudosuperioridade, sua pseudogenerosidade, seu pseudodistanciamento das elucubrações dos simples mortais, essa racinha inferior que vos persegue

– Você está pseudo demais. Eu, ao contrário, cansei deste tom eternamente over, sempre vários acordes acima, sempre representando um sentimento, uma emoção, uma rejeição ou seja lá o que for, que ao vivo e sem cores você não consegue alcançar

– Só faltava essa. Agora você vai tentar me convencer que a desprovida de emoção nesta história sou eu

– Emoção de almanaque é o que não te falta

– Duas semanas sem álcool e já no direito de cagar regras

– Você ainda está aí, ô menina?!

– Sabe de uma coisa, Nando? Apesar dos estragos que o álcool provocou, acho que no fundo esta merda toda te fez muito bem porque moralista e bacaninha como você é, sem uma dessas mazelas humanas você seria um nazistinha insuportável

– Você está falando um bocado de asneira, mas não deixa de ter uma certa razão. Se não houvesse um cara doente como eu ao teu alcance, você seria obrigada a dar de frente com tua própria doença, e não sei o quanto de saúde existe aí dentro pra te fazer sobreviver a este encontro explosivo

– Novamente a doente sou eu

– É confortável ficar em três por quatro quando se tem um outdoor ao lado. O problema é que o outdoor foi encolhendo e agora os holofotes irão se voltar para aquela fotinha no canto da tela

– Cara, tô fora. Você não vai me ofender. Estou inteira. Diante dos seus, meus desequilíbrios são novela das seis

– Glória, estamos nos fazendo muito mal…

– Não me chama de Glória que eu não gosto. Depois, este papo de que estamos nos fazendo muito mal, pra mim, é história pra boi dormir. Desculpa de quem quer se mandar sem queimar o filme e ainda sair de bacana

– Pense o que você quiser

– De saco cheio!

– Estamos nos fazendo muito mal, mas, pombas, se a gente se gosta, ou já se gostou, por que não podemos tentar nos fazer… muito bem?

– Porque talvez a gente não consiga nos fazer muito bem

– Porque talvez você não me ame o bastante pra encarar essa empreitada, isto sim. Fala isso, Nando. Fala isso, cara, talvez eu me aquiete. Com certeza vou conseguir dormir esta noite

– Pena, mas isto aqui não é um roteiro escrito por você. Não vou me comportar como o personagem dos seus devaneios. Sou o Fernando, beirando os quarenta, tentando me livrar de alguns vícios, tentando voltar a caminhar sobre minhas pernas, precisando fazer coisas orgânicas como caminhar, comer legal, respirar melhor, fazer sexo; e outras, nem tão orgânicas: aumentar os dividendos, sanar uns compromissos, rever a família, e por aí em diante

– Nesta concepção, amar é orgânico ou material?

– No caso seria utilitário

– O amor é quieto?

– O amor é quieto mas se assusta

– O amor é cinza?

– Não é colorido o amor?!

– Ah, não sei; parece que você tem medo das cores

– Acho que não; mas podemos desligar a estroboscópica, que tal?

– Nando…

– Estou amando você, Glória

– A mim?!

– …

– Você pirou de vez, honey

– …

– De onde tirou essa ideia de que está me amando?

– Francamente não sei

– Por que você me parece tranquilo?

– Estou meio cansado

– Ah, entendi. Isso mesmo. Você não disse que me ama. Disse: estou te amando. Equivale a: estou comendo uma lagosta, estou andando de bicicleta, estou mergulhando no mar. Tudo passageiro, com data pra acabar. Não é gerúndio o apelido dessa farsa?

– Não gostaria de me amar com data marcada, hein?

– Data marcada, eu?!

– Prazo de validade?

– Malucou de vez?

– Poxa, Glória, já que não tem outro jeito, podia ser divertido

– …

– Acho que você é que tem medo deste amor. Você não acredita na eternidade, não é? aliás, faz bem.

– Nando, você realmente não me…

– Psiu, relaxa, fica em paz. Sem sustos. Eu também não te amo tanto…

– Você o quê?

– Pula comigo?!

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joão e maria

Não me venha com esse olhar pidão porque aqui em casa não tem a babaquice de mamãe e papai, cadê meu filhinho ou vem cá com a titia…foi logo nos primeiros dias de convívio que abortei essas intimidades…promiscuidades, poderia dizer, porque não tenho medo das palavras

Também não se espante com meu vocabulário nem com minha verve; sou um cocker inglês e caçador, infelizmente nascido nos trópicos, nobody  is perfect,…escuta, você perdeu a língua ou só consegue mesmo miar?! por aqui somos todos poliglotas, ainda não percebeu?

Parece que você não gostou de mim; problema com os felinos?

Problemas, eu? faz-me rir…apenas me irrita a dissimulação, e conheço bem tua trupe; não vou embarcar nessa vybe de gatinha manhosa. Erasmo, tô fora!

Ainda nem te vi direito…

Então fica esperta e bota reparo

Eu não queria vir pra cá, viu? foi ela que me escolheu, por quê este mau humor? você não gosta dela?

Coisa mais infantil, gostar ou não gostar. Tô aqui há milênios, e eu mesmo ajudei a elaborar os códigos. Quanto à Marina, pelo menos não usa perfume adocicado e tem mãos de massagista tailandesa. O mesmo já não posso falar dele, o maridão. Sabia que detesto esse papo de maridão? Não parece coisa de mulherzinha? ‘Vou preparar uma sopa bem quentinha pra esperar o maridão…’ Help me!

Ele é rude com você?

Que tatibitate, gata! Você pensa que entre essa gente também não rola uns cruzamentos nada haver? Aquele lá é o verdadeiro SRD, reconheci no primeiro dia

SRD?!

Sem raça definida, apelido de vira-lata; você é lenta, hein?!

Você, ao contrário, deve vir de boa cepa. Que pelo! acho que nem sabe com quantas letras se escreve a palavra pul-ga

Marina é um inseticida de Armani, e ele um macho provedor; trata-se de uma combinação bastante utilitária

Você deve se alimentar muito bem…

Acertou em cheio: eu me alimento bem, eles comem gostoso, percebe a diferença?

E quanto a jóias, gargantilhas, braceletes?

Prefiro minha parte em patê de tutano…ça vas sans dire…

Pelo que entendi, Moisés também dorme na suíte do casal, onde vou dormir. Você não tem medo de ficar sozinho aqui fora?

Por quem me tomas, gatinha?! Sou eu o velho lobo do mar, e Moisés é caso perdido. Ele tem esse nome porque sobreviveu a uma inundação no canil quando era filhote, espia só; foi a única proeza razoável nessa vidinha besta. De resto, trata-se de um bobão puxa-saco que não discrimina um colo do outro e está sempre abanando o rabo. Já tentei ensinar as regras do bem viver mas o figura é realmente EMO; desisti

Você não gosta dele tamb… desculpe, não queria falar em gostar…

É por causa de babacas deste tipo que se criou a balela de fidelidade canina, amor incondicional, pau pra toda obra. Um figura diferenciado como eu é obrigado a chafurdar na mediocridade. Admito que sua tribo seja mais sofisticada do que a minha, embora você…

Por favor, por favor, não me ofenda; vocês machos são tão descuidados com as palavras…

Discutir a relação no primeiro dia é demais, a madame não acha?

Nossa, você é bala na agulha…

Se vis pacen par bello

Poderia traduzir, por gentileza?

Se quer paz prepare-se para a guerra

Sabia que adoro esse tipo nervosinho? Se continuar rolando desse jeito entre a gente – ops! – você tem tudo pra ser meu oitavo marido; o primeiro que entende latim, o segundo que sabe latir e o terceiro que fala demais

Rodada a garota, hein?!

Vivida, bebê, seria mais adequado; são sete vidinhas, esqueceu?

Sei, sei…

Verdade que cão que late…

Não falei que você não me enganava com aquela carinha de filha-de-maria?!

Hum…hum…

Marina, Marina…temos aqui uma boa de uma bisca…isso é que eu chamo de comprar gata por lebre

Será você quem vai atirar o primeiro osso?!

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Kevin cheirou a meia antes de enfiar no pé e calçar o tênis; tudo azedo e adequado. O jeans surrado dançava em suas pernas finas e, na camiseta, a estampa do querubim tocando flauta figurava esmaecida pelo uso frequente. Olhou-se no espelho e deu um tapa na franja que tentava descer pela testa, depois cuspiu em ambas as mãos e as escorreu pelo cabelo deixando-o rente à cabeça redonda: ok, it´s me! – franziu o nariz. Meia hora depois chegava à esquina onde combinara com o Pequeno Príncipe; iriam juntos ao aniversário de João, o babaca gói que senta ao seu lado no colégio. O principezinho já o esperava, soprando bolas coloridas de sabão, borboleteando de um lado para o outro no meio do passeio. Percebendo Kevin se aproximar, correu ao seu encontro:

– Como marcamos às quatro, desde as duas me dedico a ser feliz – e continuou cantarolando, chutando o vento e fazendo bolinhas em torno dele.

– Vamos parar com essa frescura, Pepê, que eu não tô pra brincadeira – Kevin interferiu estourando uma série de bolas vermelhas –  e pra que essa alegria toda se tua candidata ficou em terceiro lugar no concurso, e nem se lembrou de te citar?!

– Mas a que ganhou era tão graciosa; ela cativou a platéia, e você sabe que a gente se torna eternamente responsável…

– Outra insanidade dessas e te despacho de volta pra quitinete espacial.

– O essencial é invisível para os olhos, Kevin, você não vê?

– Fale por você, seu cegueta. Pra mim só é essencial o que eu posso enxergar; ainda assim visão e tato nem sempre concordam sobre o que interessa.

– Nossa, Kevin, acho que você nunca leu o Exupery.

– Você também nunca leu Lionel Schriver, nem por isso deixei de te convidar pra essa balada de hoje. Acorda, ô babacão! – e estourou uma fornada inteira de bolas azuis e lilases.

O príncipe ainda tentou aludir aos campos de trigo, entretanto o cabelo grudento do outro não permitia esse tipo de comparação, e o monarca extraterrestre desistiu de enfiar fé na misericórdia. Enfiou o canudo no bolso da calça e atravessaram a avenida pelo meio das buzinas, chegando ao prédio do aniversariante duas quadras acima.

Todos os meninos já estavam ali. João baixou os olhos diante de Kevin, e depois os levantou lentamente porque aquela figura loira de cara rosada, embora surpreendente, era de alguma forma familiar, e exalava bom tempo. Ao cumprimentá-lo, João se aproximou de seu ouvido para segredar qualquer coisa, contudo Kevin os separou com um gesto vigoroso e seguiram rumo à mesa dos doces – na verdade um mero bolo de chocolate e algumas coxinhas massudas. Ali, a molecada fazia grande algazarra à volta da pipoca, e de olho no Sangue de Boi, ansiosos pelo momento de lançar o aniversariante treze vezes para cima, celebrando sua entrada na vida adulta. O assustado João tentou mais uma vez chamar a atenção do novo companheiro, mas ele falava alguma coisa sobre rosas, raposas e baobás com Priscila, a rainha do deserto que, consideravelmente alterada depois de algumas taças do vinho, julgou estar diante do Pequeno Polegar, e se assanhara toda. Não encontrando saída, João se entregou a azáfama dos coleguinhas que simulando uma rede de bombeiro começaram a lançá-lo para cima, coreografando um jogo de peteca ao pé do Muro das Lamentações.

Durante doze vezes o pequeno foi arremessado e recolhido, arremessado e recolhido, chegando inclusive a auferir algum prazer na brincadeira bizarra. Entretanto, na décima terceira vez, a cambada retirou os braços no retorno, abrindo completamente a rede. O príncipe, se percebendo sozinho no meio do salão, recolheu igualmente os bracinhos e levou as duas mãos ao rosto, cobrindo os olhos e falando consigo: não quero nem ver! – foi fatal!

Ploooft! a sala tremeu.

‘Caiu um lençol’, Kevin gritou antes de desaparecer pela janela dos fundos, seguido por toda a corja.

Na boca entreaberta do aniversariante estatelado no chão a frase que não chegou a dizer ao pequeno infante, quando ainda apresentava todas as costelas em seu devido lugar: ‘você deveria ter lido o Michel Laub…’

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o passar do dia

Gostaria da eterna criancice, aquele tempo sempre ocupado;  com nada ocupado, mas às voltas com tudo;  é que eu queria permanecer manhã, sempre vindo e anunciando, tomando chegada…

mas caminha o sol.

A mãe falou, estendendo a toalha: ‘a manhã é a juventude do dia’. Ajuntou o pai: ‘um seu arauto, minha velha, um seu arauto’ – e alimentou o cachorro com a palma da mão.

Por não entender o assunto, me misturei ao azul e nos lambuzamos no barro orvalhado que o calor do dia vai secar e transformar em tijolo bom de jogar na parede – só pra ver explodir e voltar a ser grão, chovendo areia marrom, mas que bonito!

(evidente que penso nisso aí durante a tarde em que agora estou, de banho tomado, cabelos de prata, quando jogar barro na parede só é permitido aos insanos)

Quando a noite cair e o barro for eu, alguém vai brincar de mim?!

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