Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘comentários sobre O RIO’ Category

Retomo as resenhas com O rio que corre estrelas, de Santana Filho, que conheci recentemente. Por ter participado da coletânea Assim você me mata, da Terracota, aproveitei o lançamento para comprar alguns livros da editora, entre eles o do Santana. Como a Terracota tem passado a sua produção para e-book, tiro o atraso quando tiver o meu kindle.

O rio que corre estrelas é um livro rápido, em formato pocket tem 94 páginas, e foi uma boa curtição. Ele mistura memórias de infância com coisas inventadas, sem que fique claro para o leitor onde começa uma e termina a outra, bem a minha praia. O próprio autor fala no final do livro que “Quando me indagam a respeito da veracidade dessas memórias, respondo que nunca é tarde para ter uma infância feliz”. Essa frase define a sensação geral de leitura, enquanto acompanhamos as estrepolias do jovem protagonista.

De vez em quando aparecem uns poemas também, que no início achei que não se encaixavam bem na proposta, por serem um lampejo de adultice no meio da prosa lírica, mas um deles no final, achei ter um ponto de partida arrebatador e vou copiar aqui:

“Não pense em mim assim como se pensa,
Como percebe qualquer um que passa,
Como compra um chapéu que se vende,
Como quem ama qualquer um de graça,
Me deixe apenas ser,
Não tente acorrentar meu pensamento,
Nem julgue-se capaz de me entender.”

É um poeminha que o protagonista recita para outra personagem, que no final está cheia de sono pedindo para dormir.

Para quem quiser, o Santana Filho tem um site chamado Crônicas e Reflexões.

CapaAB_Rio_que_corre_SantanaCapa simples e bonita, que combina com o título do livro, que também achei muito bem pensado. Fico imaginando se fosse literatura especulativa, a quantidade de comentários filosóficos a respeito da adequação do título. Eu sei, estou sendo chato. Mas é impossível não imaginar um monte de debates sobre o nada.

 

Anúncios

Read Full Post »

Bom dia!

Naveguei muito no RIO QUE CORRE ESTRELAS. Em vários momentos me senti em minha infância também. Palavras que me fizeram sentir, participar, e o que mais me emocionou foi conseguir ver o pequeno San como sempre imaginei que foste: muito peralta e sensível. Só mesmo você para dançar (nadar nesse rio) com as palavras.

Espero ter conseguido dizer tudo o que senti.

Um abraço forte.

Cláudia

Read Full Post »

Santana,

Antes de tudo, quero contar que peguei ontem o teu livro, finalmente. Pelos fragmentos que eu conhecia da tua lavra, minha expectativa não era pouca… Eu diria que era quase como menino esperando arca de jacarandá ou santa que canta: expectativa propensa à frustração.
Mas que nada! Fui muito bem correspondido. Comecei pelas beiradas, como de costume, e fui afundando na poesia, página por página, até de repente nem perceber mais a cidade-jacaré (ou crocodilo?), às margens do livro, querendo abocanhar a minha atenção.
Se as palavras sumissem do papel conforme eu lia, a Esperança ao final abriria o volume em branco e talvez dissesse: – parece que cobra lambeu. Pois foi isso mesmo. O chavão vem pronto, mas foi assim: devorei teu livro, Santana.
Meu menino de dentro acordou pra conhecer o teu. Cada imagem faiscando, não teve jeito: pegamos no rabo da tua poesia e voamos, minha infância e eu, juntos pelo mundo. O mundo que você criou enquanto batia figurinha com o demônio.
Encontrei os santos no meio das tuas palavras, Santana.
E o que mais eu posso te dizer? Talvez, que se eu tivesse um cisco pra disputar com a Tetê, que eu pediria mais páginas tuas.
Te espero caudaloso, escritor. Os teus desenhos de letra rabiscam no fundo da gente.

Um abração admiroso,

Lino

Read Full Post »

Santana:
Gostei demais do seu livro. É escrito com talento, sinceridade, muita observação e enorme carinho. Até invejei a infância rica e feliz que você deve ter tido, ou que imaginou ter, mesmo diante dos problemas que evidentemente todo mundo tem de enfrentar. Lembrou-me muito de AMACORD do Fellini, porque a sinceridade e o senso de observação e recriação são muito semelhantes. Parabéns e obrigado pelos momentos de prazer que você me proporcionou,
abraços,
Silvio

Read Full Post »

Olha só o email que recebi do Ricardo, a respeito de O Rio…:

Ainda não terminei de ler, mas pelo simples fato de que este livro não é feito para ser lido, mas para ser consultado.
E assim tenho feito, cada  vez consultado um pouco…
Um dia quem sabe tenha lido tudo… e então  terei que voltar ao principio.

Puxa vida, Ricardo! sinta um abraço.

Read Full Post »

Esperei quinze dias, ando assim, deixo tudo para o momento certo. Enquanto isto o rio que corre estrelas ficou em cima da mesa da sala, aquela em frente ao sofá, com a perola, o fio amarelo e a pedrinha verde.

Hoje, domingo, li de uma vez só. Que posso dizer se já sabia que ia gostar antes de ler. Gosto do autor antes do livro, da necessidade de expressão antes da palavra, da beleza da memória antes da criação, especialmente as de infância.

Ocorre que lá pelo meio comecei a ficar surpresa, que o gostar do livro foi ganhando existência para além dos outros gostares. Por fim, tomou vida e existência por sim mesmo. Gostei dele, da prosa poética, do recado do rio. Como sei? Porque ele me aconteceu, não passou como um rio, mas como as pedras do San que ora ou outra são depositadas no chão. Consegui experimenta-lo, prová-lo para além da construção melodiosa das palavras.

A certa altura comecei a discutir com o autor de calças curtas, esquecida de quem era, um pouco pela questão das últimas oportunidades e mortes de mães, um pouco pela quadrilha, um tanto pela característica diáfana da bolha de sabão. Quem sabe?

E por fim olhei o livro de novo, agora mudado para a mesa de cabeceira ao lado do abajur, da caixa de óculos que comprei na Colômbia, da caneca de chá e tantos outros objetos. Este simboliza, do meu ponto de vista, a transmutação, coisa tão necessária nos tempos de hoje, de ontem, de amanhã.

Obrigada meu querido, por esta experiência que me aconteceu.

Com amor,

Cristina

Read Full Post »