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Archive for the ‘artigo externo’ Category

O casal parou no meio do caminho para repousar. Estavam ambos cansados de fugir. Abrigaram-se num estábulo, à beira de uma estrada deserta, e logo a mulher sentiu os primeiros sinais. Foi uma parada providencial, o momento e o lugar apropriados para a criança nascer.
Nessa noite, sob a luz vívida de uma estrela, a mulher sofreu intensamente as dores do parto. A madrugada ia alta quando, entre seus gemidos abafados, se distinguiu o choro do recém-nascido.
Para não repetir o erro, procuraram restos de madeira que havia por ali, separaram dois pedaços, preparando o ritual. Foram rápidos. O marido, carpinteiro, tinha muita prática.
Crucificaram o menino ali mesmo. Depois juntaram os animais e seguiram viagem.

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querida sara,

agradeço sua umidade nessa tarde ardida tão seca. sobre a recusa das flores, preciso esclarecer que não aprecio esse roubo da natureza. apenas você [como sempre] basta.

agradável sua visita nesse domingo insípido, aliás, todos os domingos minhas ilusões tiram folga e esse mal estar acumulado me força olhar para o ridículo dessa peleja diária. estava afundada na cólica desses farelos quando você me salvou com seu instinto de vida.

bom passar o tempo sob & sobre seu corpo, ouvindo a música dos seus gemidos.

se puder, volta para me salvar no próximo domingo também.

beijos

Anna S.

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Recebi esse texto – de autor desconhecido – e não resisti a trazê-lo aqui. Olha que coisa:

‘A palavra “coisa” é um bombril do idioma. Tem mil e uma utilidades. É aquele tipo de termo-muleta ao qual a gente recorre sempre que nos faltam palavras para exprimir uma idéia. Coisas do português.

A natureza das coisas: gramaticalmente, “coisa” pode ser substantivo, adjetivo, advérbio. Também pode ser verbo: o Houaiss registra a forma “coisificar”. E no Nordeste há “coisar”: “Ô, seu coisinha, você já coisou aquela coisa que eu mandei você coisar?“.

Coisar, em Portugal, equivale ao ato sexual, lembra Josué Machado. Já as “coisas” nordestinas são sinônimas dos órgãos genitais, registra o Aurélio. “E deixava-se possuir pelo amante, que lhe beijava os pés, as coisas, os seios” (Riacho Doce, José Lins do Rego). Na Paraíba e em Pernambuco, “coisa” também é cigarro de maconha..

Em Olinda, o bloco carnavalesco Segura a Coisa tem um baseado como símbolo em seu estandarte. Alceu Valença canta: “Segura a coisa com muito cuidado / Que eu chego já.” E, como em Olinda sempre há bloco mirim equivalente ao de gente grande, há também o Segura a Coisinha.

Na literatura, a “coisa” é coisa antiga. Antiga, mas modernista: Oswald de Andrade escreveu a crônica O Coisa em 1943. A Coisa é título de romance de Stephen King. Simone de Beauvoir escreveu A Força das Coisas, e Michel Foucault, As Palavras e as Coisas.

Em Minas Gerais, todas as coisas são chamadas de trem. Menos o trem, que lá é chamado de “a coisa”. A mãe está com a filha na estação, o trem se aproxima e ela diz: “Minha filha, pega os trem que lá vem a coisa!“.

Devido lugar: “Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça (…)“. A garota de Ipanema era coisa de fechar o Rio de Janeiro. “Mas se ela voltar, se ela voltar / Que coisa linda / Que coisa louca.” Coisas de Jobim e de Vinicius, que sabiam das coisas.

Sampa também tem dessas coisas (coisa de louco!), seja quando canta “Alguma coisa acontece no meu coração“, de Caetano Veloso, ou quando vê o Show de Calouros, do Silvio Santos (que é coisa nossa).

Coisa não tem sexo: pode ser masculino ou feminino. Coisa-ruim é o capeta. Coisa boa é a Juliana Paes. Nunca vi coisa assim!

Coisa também não tem tamanho. Na boca dos exagerados, “coisa nenhuma” vira “coisíssima”. Mas a “coisa” tem história na MPB. No II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966, estava na letra das duas vencedoras: Disparada, de Geraldo Vandré (“Prepare seu coração / Pras coisas que eu vou contar“), e A Banda, de Chico Buarque (“Pra  ver a banda passar / Cantando coisas de amor“), que acabou de ser relançada num dos CDs triplos do compositor, que a Som Livre remasterizou.  Naquele ano do festival, no entanto, a coisa tava preta (ou melhor, verde-oliva). E a turma da Jovem Guarda não tava nem aí com as coisas: “Coisa linda / Coisa que eu adoro“.

Para Maria Bethânia, o diminutivo de coisa é uma questão de quantidade (afinal, “são tantas coisinhas miúdas“). Já para Beth Carvalho, é de carinho e intensidade (“ô coisinha tão bonitinha do pai“). ”Todas as Coisas e Eu” é título de CD de Gal.  “Esse papo já tá qualquer coisa… Já qualquer  coisa doida dentro mexe.” Essa coisa doida é uma citação da música Qualquer Coisa, de Caetano, que canta também: “Alguma coisa está fora da ordem.”

Por essas e por outras, é preciso colocar cada coisa no devido lugar. Uma coisa de cada vez, é claro, pois uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa. E tal e coisa, e coisa e tal. O cheio de coisas é o indivíduo chato, pleno de não-me-toques. O cheio das coisas, por sua vez, é o sujeito estribado. Gente fina é outra coisa. Para o pobre, a coisa está sempre feia: o salário-mínimo não dá pra coisa nenhuma.

A coisa pública não funciona no Brasil. Desde os tempos de Cabral. Político quando está na oposição é uma coisa, mas, quando assume o poder, a coisa muda de figura. Quando se elege, o eleitor pensa: “Agora a coisa vai.” Coisa nenhuma! A coisa fica na mesma. Uma coisa é falar; outra é fazer. Coisa feia! O eleitor já está cheio dessas coisas!

Coisa à  toa. Se você aceita qualquer coisa, logo se torna um coisa qualquer, um coisa-à-toa. Numa crítica feroz a esse estado de coisas, no poema Eu, Etiqueta, Drummond radicaliza: “Meu nome novo é coisa. Eu sou a coisa, coisamente.” E, no verso do poeta, “coisa” vira “cousa”.

Se as pessoas foram feitas para serem amadas e as coisas, para serem usadas, por que então nós amamos tanto as coisas e usamos tanto as pessoas?

Bote uma coisa na cabeça: as melhores coisas da vida não são coisas. Há coisas que o dinheiro não compra: paz, saúde, alegria e outras cositas más. Quer dizer…

Mas, “deixemos de coisa, cuidemos da vida, senão chega a morte ou coisa parecida“, cantarola Fagner em Canteiros, baseado no poema Marcha, de Cecília Meireles, uma coisa linda. Portanto, procure sempre fazer a coisa certa’.

ENTENDEU O ESPÍRITO DA COISA?

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spinoza

Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer. Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filho… Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.

A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou, batendo dentro de ti.

Baruch Spinoza.

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O casal parou no meio do caminho para repousar. Estavam ambos cansados de fugir. Abrigaram-se num estábulo, à beira de uma estrada deserta, e logo a mulher sentiu os primeiros sinais. Foi uma parada providencial, o momento e o lugar apropriados para a criança nascer.
Nessa noite, sob a luz vívida de uma estrela, a mulher sofreu intensamente as dores do parto. A madrugada ia alta quando, entre seus gemidos abafados, se distinguiu o choro do recém-nascido.
Para não repetir o erro, procuraram restos de madeira que havia por ali, separaram dois pedaços, preparando o ritual. Foram rápidos. O marido, carpinteiro, tinha muita prática.
Crucificaram o menino ali mesmo. Depois juntaram os animais e seguiram viagem. 

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Você sabe que eu atendo em um Posto de Atendimento ao Idoso, e deve imaginar o quanto é rica essa experiência. Acompanho diariamente uma valsa de salão (às vezes samba-canção, maracatu, às vezes bolero, sertanejo, até mesmo rap, outras vezes silêncio).

Maria Paulina tem mais de oitenta anos e escreve. A cada três meses leva pra mim algum de seus escritos, e gosta que eu leia para ela ouvir. Leio com prazer. Esta semana ela chegou com um poema que escreveu pelo meu aniversário (faz isso todo ano).

É este:

Dr José S Santana Filho

Feliz Aniversário!

Mais um ano que passou
E passou bem de repente

Porém não ficou mais velho,
Ficou mais experiente

Homem com tanta bondade
A idade não alcança
Quando partir deste mundo
Mesmo que tenha cem anos
Vai jovem como criança

Sua profissão tão linda
Que a muitos favorece
Desejo-lhe muita sorte,
Tudo de bom que merece

Continue assim bondoso
Para a muitos alegrar
Quando chegar lá no céu,
Os anjos vão festejar.

                                  ‘Com simpatia’

                                                  Maria Paulina

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meninos

Descobri estas dicas em um site português e achei bem divertido. Veja:

As regras que um homem deve saber sobre estilo!

1. Os botões da camisa, a fivela do cinto e o fecho das calças devem de estar sempre alinhados

2. Se conseguir meter dois dedos entre o pescoço e o colarinho de uma camisa, a camisa servirá confortavelmente mesmo depois de ser lavada.

3. A ponta da gravata nunca deve estar abaixo da fivela do cinto

4. Não alugue roupa

5. Sapatos de 30 euros durarão metade de uns de 150 euros, mas uns de 350 euros durarão uma vida, se usar uma calçadeira para os calçar

6. Uns sapatos de 350 euros sem estarem bem engraxados e brilhantes, parecem uns de 50 euros

7. As mulheres reparam muito nos sapatos e em todo o tipo de calçado

8. As mulheres também reparam muito nos pelos nasais e auriculares

9. Uns bons sapatos e um bom corte de cabelo são mais importantes que um bom fato

10. Gravatas com desenhos animados ou bonecos não combinam com nada

11. Nunca é aceitável alargar o nó da gravata a não ser para a retirar por completo

12. O cinto de segurança do automóvel deve sempre ser colocado por baixo da gravata

13. Se tiver menos do que 40 anos só pode usar um laço com um smoking, a não ser que seja um famoso escritor, ou um “tótó”

14. Poucas pessoas querem vê-lo nuns calções muito curtos e justos, ou numas calças de cabedal; e as que querem vê-lo assim, podem não ser aquelas que lhe interessam

15. Uma camisa de 250 euros parecerá uma de 25 euros se em vez de ser lavada a mão, for enviada para uma lavandaria comum

16. Um anel, no máximo num dedo só. Nada de anéis de curso. O anel deve de ser de prata ou de platina liso, e nunca de ouro

17. Não há pechinchas

18. Um homem num bom fato e gravata é chique; um homem num bom fato sem gravata ainda parece mais chique

19. Um homem num fato sem gravata pode usar mocassins; um homem num fato com uma gravata não pode

20. É melhor chegar a um evento muito bem vestido, em vez de mal vestido; as pessoas pensarão que irá a um outro local mais importante depois desse evento

21. Chachemira barata é menos suave e mais frágil que lã muito cara

22. Uma camisa com uma t-shirt por baixo visível, é o equivalente a usarem cuecas pretas por baixo de calças brancas

23. Colares não conversam com fatos de 4 botões duplos

24. Não se desabotoam fatos de botões duplos

25. Uma das coisas piores, é usar meias que não cobrem completamente a perna quando a calça levanta

26. As meias deve sempre ser da cor dos sapatos

27. Se perder um botão de punho, retire o outro; isto parecerá um rasgo de estilo em vez de um acidente

28. Tenha um rolo autocolante de limpar a roupa no local de trabalho, e no carro

29. Um bom fato, bem tratado não deve de ir mais do que duas vezes por estação para a lavandaria; um bom smoking bem tratado nunca deve de ir para a lavandaria

30. Os jeans nunca devem de ser passados a ferro

31. O que encontra num outlet é o que as outras pessoas se recusaram a comprar

32. Usar caquis religiosamente ao fim-de-semana é exactamente o mesmo que trabalhar sempre de fato

33. De qualquer maneira, calças caquis nunca são demasiadas; ou calças de algodão, t-shirts ou ténis para usar aos fins-de-semana

34. Ninguém deve usar um relógio de plástico, ou com uma calculadora

35. Um bom alfaiate corresponde a um bom médico na vida ou a um bom advogado

36. Os vendedores de roupa podem mudar a sua vida de uma boa maneira, infelizmente não muitos assim, fique de olho

37. Dois elementos de estilo que durarão mais do que um homem que é inteligente o suficiente para os ter: um bom cinto e um bom par de botões de punho

38. Camisas sem colarinho fá-lo-ão parecer ou estúpido ou um padre

39. Um nó de gravata muito largo, ou mais estreito deve ser decidido de acordo com a gravata, e não de acordo com o dia, ou com a camisa

40. Cigarros nunca são sinónimos de estilo na companhia de outros

41. Se colocar um casaco nas costas de uma cadeira e depois se sentar nela, o casaco parecerá que esteve colocado nas costas de um cadeira, que depois se sentou e se encostou a ele

42. Uma gravata preta com um blazer e jeans é o equivalente a um bom fato com uma camisa de folhos por baixo

43. As calças de ganga com lavagens claras podem parecer que estão outra vez na moda, mas ainda bem que decidiu não aderir a essa moda

44. Primeiro fato: azul-marinho; Segundo fato: cinza; Terceiro fato: azul-marinho com riscas verticais; Quarto fato: fato cinza com riscas verticais; Quinto fato: preto; Sexto fato: não precisa de mais nenhum

45. Não há dor tão grande como ver um fato com ténis

46. Ter estilo é quebrar regras, e por vezes mesmo estas…

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