Feeds:
Posts
Comentários

Archive for the ‘Anotações’ Category

caldeirão

Noutra noite fui abduzido pelo passado, e ele, presente, jogou no mesmo programa toca-disco e Ipod, Tocantins e Tietê, encontros à mesa de jantar e encontros virtuais, apertos robustos de mão e sorrisos gráficos.

Pensei em Rilke: eu sou uma árvore ante o meu cenário.

Anúncios

Read Full Post »

voz

Tudo se pode perder: o tônus muscular, o preto do cabelo, o horário do voo, o ponto do doce de leite, aquela foto antiga na gaveta do criado, memória de primaveras. Até amor eterno se pode perder. Só não se pode perder a voz, a autoridade na palavra. Uma voz que não ecoa, que passa imune, que não importa, costuma ser o primeiro sinal de inexistência.

Read Full Post »

Caro amigo  Santana!!!

Promessa é dívida.

Depois de muito pensar, resolvi pagá-la relatando um momento muito significativo em minha vida, que ficarei feliz em compartilhar com toda esta galera “up” que frequenta seu blog, igualmente “up”.

Costumo dizer que para viajar, além de vontade, disposição e curiosidade, basta cash (de qualquer espécie) e documentos. Apenas isso. E com apenas isso toda e qualquer viagem acontece. Roupa, maquiagem, mala, livros, calçados, qualquer coisa se compra. Já perdi – e/ou já perderam – e esqueci tudo que se pode imaginar como imprescindível numa viagem. Possivelmente, alguns dirão, que podemos viajar até sem cash e sem documento. Não duvido. Outros desistem de viajar por não dominarem o inglês ou o idioma do país visitado. Descobri que a língua apenas dificulta. Nada mais que isso. Ela não impossibilita a viagem.

Porque a língua mãe de todo o planeta é a linguagem internacional dos gestos. E todos nascemos habilitados e aptos a usá-la.

Anos atrás, logo após o 11 de setembro em NY, tive que renovar meu visto americano. Íamos – meu marido e eu – a um congresso em Montreal, no Canadá, e planejamos passar uma semana nos USA. Uma semana antes da viagem, implantaram a entrevista obrigatória no consulado americano. E é obvio, que minha viagem e minha entrevista entraram em conflito de agenda e acabei viajando sem o visto. Por sorte nossa passagem era São Paulo – Toronto. Só fiquei sabendo da falta do meu visto americano a bordo do avião, a 14.000(?) metros de altitude. Meu marido se assegurou de que eu não tivesse outra opção. Ou melhor, até tinha: poderia nem desembarcar e retornar imediatamente ao Brasil. Consciente do meu inglês precário e rudimentar – apesar das aulas no Yazigi – decidi que no máximo eu passaria uma semana dormindo no hotel. O que não era uma má ideia, pois na época eu trabalhava em torno de dez horas diárias e estava exausta.

Em Toronto desembarquei sozinha com minha mala, meus documentos, meu inglês capenga e dinheiro suficiente para me hospedar no melhor 5 estrelas da cidade, por uma semana.

Frente a situações assim costumo dizer: RESPIRA FUNDO, SE ACALMA E PENSA. Não adiantava matar meu marido, nem gritar nem chorar.

Troquei algum dinheiro e fui de táxi ao centro de Toronto, próximo à embaixada americana. Já estava anoitecendo e precisava me sentir segura num espaço fechado. Chegando ao hotel e já desencavando meu inglês enferrujado e horroroso, me instalei confortavelmente na cama King Size onde assisti a várias partidas de tênis. Precisava baixar a adrenalina de toda aquela tensão e a bolinha hipnotizante do tênis, indo e vindo, simplesmente me acalmou. Adormeci com a batida seca da bolinha no saibro  da quadra de tênis.

Quando amanheceu fui conhecer – e apenas isso – a embaixada americana e a brasileira e confirmei que ficaria sem o visto americano e com uma semana inteira de Toronto.

RESPIRA FUNDO, SE ACALMA E PENSA.

E mergulhei em Toronto. Saí do Sheraton e me hospedei no Hotel Bond. Um três estrelas muito bem localizado. Estudei o guia e os mapas da cidade, comprei um dicionário inglês&espanhol, afinei o ouvido, exercitei a memória e o maxilar, andei de ônibus, metrô, bonde, barco e a pé. Conheci Toronto de todas as maneiras que se pode conhecer uma cidade. Sozinha. E mal e mal falando inglês.

Gosto deste momento da minha vida, pois no final daquela semana, tive a certeza de que posso ir a qualquer lugar e me comunicar com qualquer pessoa de qualquer parte do planeta.

Gostaria de falar mais e melhor o inglês. Mas já desisti. Cheguei à conclusão de que conhecimento pouco usado, atrofia. Me viro com o que sei e o pouco que sei não me impede de viajar. Além das palavrinhas mágicas “Sorry”, “Excuse-me”, “Please”, “Thank You” duas frases são fundamentais: Can you speak slowly?” e  “How much is this?”.

Do resto, a linguagem internacional dos gestos dá conta. Me comuniquei em chinês, japonês, italiano, espanhol, alemão, sueco …….. sem palavras. Compreendi e fui compreendida. E isto é o que importa.

Próximo destino? Qualquer lugar do planeta.

Read Full Post »

Quem me conhece sabe até onde sou capaz de ir por uma boa noite de sexo (ou uma boa tarde, manhã, madrugada, etc). Em função dessa dedicação já vivi experiências bastante pitorescas, algumas extraordinárias, outras meramente broxantes – toc-toc na madeira!!!

Dois anos atrás fui passar uma semana na praia Del Carmen, no México, apenas um paraíso. Estava hospedado no hotel um gajo português que era verdadeiramente ‘bestial’, pra usar um termo luso. Se aquilo era o paraíso, digamos que ele tinha a chave da entrada, compreendeu? Me tomei de encantos. O bofe nem tanto. Fiz o que pude pra chamar sua atenção, contribuindo inclusive com algumas lenhas na fogueira onde arde a reputação de nossas garotas tropicais. Isso mesmo, senti um quê de vulgaridade quando me percebi de mão nas cadeiras gingando alucinadamente ao som de um bolerão mexicano nada a ver com minha performance ensandecida. Cheguei ao cúmulo de – num belo lual na praia – receber uma Amália de frente, e entoar com a voz que Deus (não) me deu: La mourariiiiiiiia. O rapaz se retirou sem mais aquela, e eu voltei pro quarto seriamente aborrecida, mas decidida a lutar.

Tinha percebido que ele (chamava Antônio, Toni para os conterrâneos, Totó pra uma magricela que andava junto) era chegado a esporte. Corria de manhãzinha e estava sempre alongando o corpão na praia. A segunda coisa que eu mais gosto de fazer é NÃO FAZER NADA, isso posto fica fácil entender o arrojo da minha decisão: acompanhar o gajo nas corridas matinais. No dia seguinte, 7 da madruga, cheguei bocejando na areia e fiquei de tocaia. Não demorou lá vinha ele deslumbrante feito um Netuno marchando à beira mar. Aquilo até que me deu uma animada e eu saí correndo atrás. Quatro minutos depois estava exausta e perdi o Netuno de vista, me joguei na areia e estaria ali até hoje não fora despertada por Giselle, minha companheira de quarto, ansiosa pra não perdermos o horário do café da manhã.

‘A vida é combate que os fracos abate, que os fortes e os bravos só pode exaltar’. Agradecendo Gonçalves Dias, levantei no dia seguinte ainda mais cedo e fiquei a postos. Ele já vinha suado àquela hora, imagine só, e eu abri o meu sorriso mais perigoso quando ele passou à minha frente. Sem diminuir o paço, ele falou ‘Vamos lá, princesa?’ Eu não acreditei no que ouvi, mas também não acredito em papai Noel e nem por isso deixo de festejar o natal, portanto, saí correndo ao seu lado, e que lado, Senhor!!!

Resumo do enredo porque estou indo longe demais: o gajo era tudo aquilo que eu esperava dele e mereceu cada segundo do investimento. Canta um fado como ninguém, toca a guitarra usando os cinco dedos, gasta o exato tempo de se ler os lusíadas só nas preliminares e adora me ver requebrar. Quanto a mim, agora coleciono medalhas no triatlo e te escrevo da varanda de nossa casinha branca no Algarve (praia da Marinha), de onde saímos todas as manhãs (chovendo ou fazendo sol) pra correr e manter o fôlego necessário pra essa vidinha gostosa que Netuno me deu (e Tonhão sacramentou).

Read Full Post »

Fui passar o reveion de 2007 com minha mulher na praia das Toninhas, em Ubatuba.  Laura é mística e está sempre consultando gurus e afins pra descobrir o local ideal de passar aniversário, virada do ano, páscoa e coisas do tipo. Não dou bola pra isso mas dou muita bola pra Laura, então acabo acompanhando ela nesses, vamos dizer, devaneios.

As dez e pouco da noite saímos da pousada pra umas cachoeiras adiante do município de Ubatuba no sentido SP-Rio onde a gente devia tomar um banho de água fria embaixo da lua crescente, e passar uma poção totalmente junk do pescoço pra baixo (mistura de amoníaco com álcool, raiz de sei lá o quê, folha de arruda, gengibre, babado hiper forte).  Achei que ia ser um programa bacana, discreto, a dois, caliente.

Nada disso. Minha Laura não é a única garota ligada no cosmos, tinha um monte de laurinhas e huguinhos no pedaço. Até fila tava rolando. Pensei: ninguém foge do carma, e o carma do paulistano é mesmo a fila, até pra se enfiar embaixo de uma cachoeira gelada. Uns quarenta minutos de cerveja depois, precisei dar uma viajada: de boa – pipizão. Na sequência, em vez de voltar pra fila tive um desejo maluco de atravessar a pista e caminhar na praia do outro lado. Aí, pirou geral.

As últimas coisas que me lembro é que cruzei com uma gata bacaníssima saindo do mar com uma prancha embaixo do braço e uma tatoo de sereia no umbigo. E depois um objeto nada identificado piscando uma luz amarela que, parece, só eu vi. Pirei e fui ficando meio zumbeta. O objeto me aspirou feito vaporeto no máximo

Voltei pra casa dois dias depois, com alguns hematomas pelo corpo, certamente devido a abdução que sofri do tal objeto – Elba Ramalho tem toda razão. Fui levado a um universo pra lá de sideral e lamento não lembrar de alguns detalhes fundamentais pra argumentar com as más línguas que insinuam coisas com relação a essa historia – vai saber pra quê.

Laura nunca duvidou de mim mas pelo sim, pelo não, também não quis mais passar o réveillon em Ubatuba. Por mim, tanto faz, tô com Laura e não abro; se quiser Maresia a gente vai, não é morzão?

Read Full Post »

Como não atender o pedido de um amigo querido???!!!

Expor-me, deixar-me conhecer e, a partir de agora, ser famosa para esse seleto grupo; que medo!!!!!

Bem, começo por dizer que gosto de gente!! Pois é, característica ultrapassada, mas fazer o quê? Gosto de pessoas, de suas histórias de vida, da conversas intermináveis, de contar e ouvir casos, de rir de tudo e por nada. Isso me define.

A partir daí, não é difícil imaginar o quanto sou curiosa, preocupada, envolvida com tudo que diga respeito aos que me são minimamente simpáticos.

Por falar nisso: quem é você que me lê agora?

Sou capricorniana! Quem me considerar teimosa, terá que provar.

Meu ascendente é Peixes e minha lua toca harpa na casa de câncer….

Não possuo nenhum elemento ar em todo meu mapa astral….O que será que isso quer dizer? Olguinha, socorro! Tenho salvação?

Mas, o fato é, que tenho sobrevivido sendo assim.  Sou educadora por natureza,  e multimídia por falta ou excesso de opções. Ainda não decidi.

Circulei pelo meio musical tendo a honra de trabalhar com nomes consagrados da mpb. Coisa fina e de bom gosto. Durante o Projeto Pixinguinha, tive a grata oportunidade de conhecer os quatro cantos do Brasil e de lambuja arrebatar momentos inesquecíveis, como estar com a Leni Andrade cantando boleros, à capela, dentro de uma jangada em mares alagoanos…ou jogar sinuca com Paulinho da Viola….enxugar uma garrafa de wuisky em rodadas de pôquer com Marlene…

Como assessora de imprensa do 150 Nigth Club do velho Macksoud, pude viver outras tantas aventuras trabalhando com o Fred Rossi; participei do Vou Vivendo, Rua do Choro, Teatros, Secretaria de Cultura…ufa!

Exerci uma de minhas genuínas vocações: lecionar!!!  Fui muito feliz em minha convivência com adolescentes onde em meio a orações subordinadas, classificações do sujeito, eu escapava e lhes apresentava música, poesia e literatura. Isso sim fazia sentido e eles me devolviam muito mais que isso.

No mkt do Pão de Açúcar, conheci uma das pessoas mais fascinantes e perspicazes de todas:  D. Vera Giangrande. Com ela aprendi o que significa verdadeiramente atender seu cliente, seja ele quem for. Isso mudou minha vida. Uma escola e tanto!!!!!

Hoje, sou servidora pública…Ainda custo a entender o que isso quer dizer, mas estou me inteirando em políticas públicas e gostando (do conceito, claro). Me preparo para outros vôos….que só Deus sabe onde irão me levar.

Por enquanto, muito prazer!

Read Full Post »

Tô longe de ser um tipo saudosista.

A tranquilidade das ruas de São Paulo, as boas escolas públicas e os
cinemas do centro  nada me dizem.

Minha São Paulo sempre foi perigosa, os cinemas de shopping os melhores e a escola o pior lugar pra se aprender, fosse  pública ou privada.

Não suporto o papo – no meu tempo era  assim…

Acho a vida cada dia mais legal , e assim gosto de tudo o que vem junto com o tempo

( a despeito das rugas).
Mas outro dia…

Era reunião de  família aqui em casa , e buscar os álbuns de fotografias foi atender aos pedidos da  galera.

Pat olha o Bob que engraçado!

Mãe, olha a Bia vestida de  Carmem Miranda que linda –

Filha,  pega  o álbum de balão colorido, o do  aniversario

de 6 anos da Bia                                                                                                                                                                                                       você tava  de cabelo Chanel e um palito ,

E a sogra entrega:
Depois  pega do aniversario de 2 anos … você  tava enooorme!

Ah! o do  casamento também, eu tava ótima no vestido lilás.

 

Entre cafés e Portos folheamos o tempo e emendamos em histórias.

Quem engordou quem emagreceu, quem tá velha, quem tá bem.

O frio daquelas férias, o calor insuportável, a roupa como-eu-pude-usar-isso.

Não sei por onde anda minha máquina fotográfica, aquela que não começa com “I” nem tem maçã no verso.

Aquela da revelação, que às vezes tinha que abrir a tampinha num lugar bem, bem escuro pra não velar o filme. Podia ser de 12,24 ou 36 poses.

É, acho que estou com saudades. Não da Kodak,  mas de poder guardar em caixas momentos para partilhar num  almoço de domingo.

Read Full Post »

Older Posts »