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Archive for fevereiro \27\UTC 2012

Santana:
Gostei demais do seu livro. É escrito com talento, sinceridade, muita observação e enorme carinho. Até invejei a infância rica e feliz que você deve ter tido, ou que imaginou ter, mesmo diante dos problemas que evidentemente todo mundo tem de enfrentar. Lembrou-me muito de AMACORD do Fellini, porque a sinceridade e o senso de observação e recriação são muito semelhantes. Parabéns e obrigado pelos momentos de prazer que você me proporcionou,
abraços,
Silvio
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A canção brasileira chegou
Com o fim do verão

O sol está presente
Como continua o impossível amor

Pela primeira vez, meu amor
Eu me sinto feliz
Sabendo que sou
Sabendo que dou
O amor mais bonito

Quantas vezes vagueio no quarto
Ou nos bares tão só
Mas eu nunca fui triste
Os corredores da vida, eu já sei de cor
Já não sinto temor em sentir
Já não sei mais chorar

É que o choro não vem
Quando quero sorrir,
Quando quero sorrir …

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maria bethânia

1974, Imperatriz. Ivana chegou em casa com um LP: Recital na Boate Barroco, de Maria Bethânia, ‘precisas ouvir essa mulher’. Não a conhecia nem de ouvir falar, e não me encantei de pronto; éramos meninos. A voz grave, o repertório, tudo me soou estranho. Voltei a ouvir depois. E depois. Não sei precisamente quando fui inundado pela voz, pelo lirismo selvagem, o arrebatamento. E então a subversão do gosto, a revolução no que eu apreciava de música até ali.

Bethânia não veio só, estandarte. Trouxe Fernando Pessoa, Chico Buarque, Clarice Lispector, Dorival Caymmi, Vinícius de Moraes, Caetano Veloso, cirandas, cantigas de roda, encantamento e poesia a mãos cheias. Acolhi todos em casa, puxei cadeira, servi um chá. O primeiro encontro com Fernando Pessoa jamais esqueci. Ocorreu em Belém, no terraço do apartamento, de frente pras mangueiras da rua. ‘O Eu Profundo E Os Outros Eus’. Outra subversão, vendaval e brisa breve. ‘Para onde vai minha vida e quem a leva? Por quê eu faço sempre o que não queria? Que destino contínuo se passa em mim na treva? Que parte de mim, que eu desconheço, é que me guia?’. Foi a segunda vez que constatei: estou existindo, estou existindo! A primeira foi quando engoli a piaba, como conto n’O Rio Que Corre Estrelas’.

Coisa parecida aconteceu quando li Sidarta, do Hermann Hesse. Lembro que a certa altura fechei o livro e fui arrumar o quarto. Tirei as meias de dentro do sapato e botei pra lavar, estendi a colcha na cama com cuidado, pendurei as toalhas, arrumei cada gaveta do armário, lustrei a bicicleta e alinhei os livros na estante. Depois tomei banho de ducha forte.

A partir de Bethânia retomei o gosto pela escrita, deixado na infância logo atrás. E pela leitura. Fiquei atento a outras belezas, alonguei a coluna. Há alguns anos tive a oportunidade de dizer a ela tudo isso. Ela me estendeu as duas mãos e me beijou o rosto. Não emudeci mas fiquei em silêncio, sua voz de chumbo e ouro.

Seguimos juntos há 38 anos, ela não pára de me surpreender e me encharcar de poesia. E como ela mesma fala, iluminando Pessoa: ‘Vivemos juntos e dois. Com um acordo íntimo, como a mão direita e a esquerda’.

Essa Maria, que está sempre por aqui, é, ela mesma, a grande obra de arte.

O nome disso é epifania.

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Amei uma vez dizendo isso em lua nova. A lua que a gente não vê mas sabe que existe; olha-se para o céu e nada está ali, ou parece estar. Nada que se possa confirmar pelos sentidos aloprados, nada a fotografar, o avesso da ciência que exige radiografia pra se confirmar; como um membro que se dói por dentro em anestesia; uma dor fantasma. Amei de um jeito que só precisava de mim pra existir, portanto com o dobro de chance de fenecer, eu tocando sozinho. Amei em silêncio quando menino e, adulto, amando outra vez, abri mão de testemunhas porque então dispensava o que necessita de testemunha para parecer real. Fechei os olhos inclusive para o invisível da lua porque não podia correr o risco de me inebriar. Precisava aspirar apenas aquele amor sem cortinas, adjetivos ou gestos exagerados.

Este amor ainda vejo aqui, se puxar o cordão. Ainda agora o vejo, cruamente, estrias expostas, confetes e cinzas de um carnaval.

 

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Olha só o email que recebi do Ricardo, a respeito de O Rio…:

Ainda não terminei de ler, mas pelo simples fato de que este livro não é feito para ser lido, mas para ser consultado.
E assim tenho feito, cada  vez consultado um pouco…
Um dia quem sabe tenha lido tudo… e então  terei que voltar ao principio.

Puxa vida, Ricardo! sinta um abraço.

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Em novembro passado ganhei, da Olguinha, um livro de contos do  Rubens Figueiredo: O Livro dos Lobos. Esta semana comecei a lê-lo e não parei mais, tem coisas incríveis ali. Seu texto é bonito e é maduro. Alguns contos são primorosos: Um certo tom de preto e Alguém dorme nas cavernas, de arrepiar.

Conhecia o autor apenas de nome, agora peguei cadeira de pista e pretendo conhecê-lo mais e mais.

Postei abaixo um pequeno trecho de Alguém dorme… que me fez refletir um bocado, tantos os chamamentos, os interesses, o compromisso com a ‘modernidade’; e as falácias. Veja:

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Em uma certa data, que só alguns sabem qual é, todas as águas do mundo desaparecerão. Serão substituídas por uma água diferente, que fará os homens enlouquecerem. Só um homem  acreditou nessa profecia e guardou a água antiga num reservatório secreto. Um dias as águas de fato secaram, rios, lagos, tudo. E depois veio outra água. Logo o homem comprovou que seus semelhantes estavam falando e pensando  de uma maneira completamente diversa da anterior. Nem sequer lembravam o que tinham sido antes.

Quando tentou conversar com eles e explicar o que havia acontecido, o homem compreendeu que o julgavam louco. Tinham pena, tinham medo, mostravam-se hostis. Ele continuou a beber apenas a água velha durante algum tempo. Às vezes, na sua solidão, chegava a se debruçar na beira dos riachos e encher as mãos em concha com a água renovada. Parecia igual à antiga, fresca, clara. Talvez possuísse até um encanto maior. Mas ele não tinha coragem de provar e deixava que ela escorresse entre os dedos.

Comportando-se de maneira diferente dos outros, sua vida se tornava cada vez mais triste e chegou a desconfiar que estivesse de fato louco. Um dia, sem poder mais suportar o isolamento, resolveu beber a nova água e logo se tornou igual aos outros homens. Esqueceu a profecia, esqueceu a água que havia armazenado, e os outros passaram a olhar para ele como um louco curado por um milagre.

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