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Archive for dezembro \29\UTC 2011

Ontem estive na livraria Martins Fontes, na Paulista, onde será o lançamento de O Rio Que Corre Estrelas. Acho que não a conhecia. Gostei. Tem cara de livraria, sabe? Estantes de madeira, livros, livros, um pouquinho de pó, e uma gente atenta; fiquei sapeando por ali; Alessandra foi junto, nos divertimos.

Daqui a pouco vou ficar ansioso, já sei; só passar as festas de fim de ano. Aliás, tenha um belo Reveillon. E um GRANDE 2012!

 

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spinoza

Pára de ficar rezando e batendo o peito! O que eu quero que faças é que saias pelo mundo e desfrutes de tua vida. Eu quero que gozes, cantes, te divirtas e que desfrutes de tudo o que Eu fiz para ti. Pára de ir a esses templos lúgubres, obscuros e frios que tu mesmo construíste e que acreditas ser a minha casa.

Minha casa está nas montanhas, nos bosques, nos rios, nos lagos, nas praias. Aí é onde Eu vivo e aí expresso meu amor por ti. Pára de me culpar da tua vida miserável: Eu nunca te disse que há algo mau em ti ou que eras um pecador, ou que tua sexualidade fosse algo mau. O sexo é um presente que Eu te dei e com o qual podes expressar teu amor, teu êxtase, tua alegria. Assim, não me culpes por tudo o que te fizeram crer. Pára de ficar lendo supostas escrituras sagradas que nada têm a ver comigo. Se não podes me ler num amanhecer, numa paisagem, no olhar de teus amigos, nos olhos de teu filho… Não me encontrarás em nenhum livro!

Confia em mim e deixa de me pedir. Tu vais me dizer como fazer meu trabalho?

Pára de ter tanto medo de mim. Eu não te julgo, nem te critico, nem me irrito, nem te incomodo, nem te castigo. Eu sou puro amor. Pára de me pedir perdão. Não há nada a perdoar. Se Eu te fiz… Eu te enchi de paixões, de limitações, de prazeres, de sentimentos, de necessidades, de incoerências, de livre-arbítrio. Como posso te culpar se respondes a algo que eu pus em ti? Como posso te castigar por seres como és, se Eu sou quem te fez? Crês que eu poderia criar um lugar para queimar a todos meus filhos que não se comportem bem, pelo resto da eternidade? Que tipo de Deus pode fazer isso? Esquece qualquer tipo de mandamento, qualquer tipo de lei; essas são artimanhas para te manipular, para te controlar, que só geram culpa em ti. Respeita teu próximo e não faças o que não queiras para ti.

A única coisa que te peço é que prestes atenção a tua vida, que teu estado de alerta seja teu guia. Esta vida não é uma prova, nem um degrau, nem um passo no caminho, nem um ensaio, nem um prelúdio para o paraíso. Esta vida é o único que há aqui e agora, e o único que precisas. Eu te fiz absolutamente livre. Não há prêmios nem castigos. Não há pecados nem virtudes. Ninguém leva um placar. Ninguém leva um registro. Tu és absolutamente livre para fazer da tua vida um céu ou um inferno.

Não te poderia dizer se há algo depois desta vida, mas posso te dar um conselho. Vive como se não o houvesse. Como se esta fosse tua única oportunidade de aproveitar, de amar, de existir. Assim, se não há nada, terás aproveitado da oportunidade que te dei. E se houver, tem certeza que Eu não vou te perguntar se foste comportado ou não. Eu vou te perguntar se tu gostaste, se te divertiste… Do que mais gostaste? O que aprendeste?Pára de crer em mim – crer é supor, adivinhar, imaginar. Eu não quero que acredites em mim. Quero que me sintas em ti. Quero que me sintas em ti quando beijas tua amada, quando agasalhas tua filhinha, quando acaricias teu cachorro, quando tomas banho no mar. Pára de louvar-me! Que tipo de Deus ególatra tu acreditas que Eu seja? Me aborrece que me louvem. Me cansa que agradeçam. Tu te sentes grato? Demonstra-o cuidando de ti, de tua saúde, de tuas relações, do mundo. Te sentes olhado, surpreendido?… Expressa tua alegria! Esse é o jeito de me louvar. Pára de complicar as coisas e de repetir como papagaio o que te ensinaram sobre mim. A única certeza é que tu estás aqui, que estás vivo, e que este mundo está cheio de maravilhas. Para que precisas de mais milagres? Para que tantas explicações?Não me procures fora! Não me acharás. Procura-me dentro… aí é que estou, batendo dentro de ti.

Baruch Spinoza.

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                               Votos de PAZ!

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O casal parou no meio do caminho para repousar. Estavam ambos cansados de fugir. Abrigaram-se num estábulo, à beira de uma estrada deserta, e logo a mulher sentiu os primeiros sinais. Foi uma parada providencial, o momento e o lugar apropriados para a criança nascer.
Nessa noite, sob a luz vívida de uma estrela, a mulher sofreu intensamente as dores do parto. A madrugada ia alta quando, entre seus gemidos abafados, se distinguiu o choro do recém-nascido.
Para não repetir o erro, procuraram restos de madeira que havia por ali, separaram dois pedaços, preparando o ritual. Foram rápidos. O marido, carpinteiro, tinha muita prática.
Crucificaram o menino ali mesmo. Depois juntaram os animais e seguiram viagem. 

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Parou de ventar e o calorão subiu. Minha mãe, olhando pras mangueiras inertes à falta de vento, comenta consigo: quando morrer eu não posso ir pro inferno porque sou muito calorenta.

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A sobrinha me procura, preocupada
Tio, como a gente faz pra desenvolver baixa estima? meu excesso de auto estima não está me fazendo muito bem.

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Eu e meus irmãos tomando vento e cerveja.
Ele diz: estou perdendo a visão e a memória.
Ela arremata:
Ainda bem que são os dois. Logo vais esquecer que estás cego.

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Amanhã volto a Belém pra passar o Natal e ficar mais um tanto com todos eles. Gosto disso.

Antigamente havia um locutor de rádio que falava com a boca cheia, antes de dar  o cronômetro no jogo de futebol: ‘na minha morena Belém do Pará…’

Belém é morena mesmo. E sua. Açaí, cupuaçu, taperebá. Maniçoba.

E afeto. Sinto-me farto por ali. Ancho. Robusto.

 

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Fernando Sabino, o Demônio é uma árvore frondosa cheia de frutos maduros e doces. O Demônio dá sombra aos caminhantes fatigados, o Demônio, Fernando Sabino, dessedenta os que têm sede e dá de comer a quem tem fome. O Demônio é uma romã fresca e saborosa depois do sol e do cansaço.

Deus, Fernando Sabino, é uma galhada seca e magra, onde os homens sangram as mãos para nada. Uma caveira no meio do pé da estrada é Deus, Fernando Sabino. Deus é um osso duro de roer. Deus, Fernando Sabino, é uma fieira de dentes amarelos enfiados como em colar e passado no colo de um esqueleto esquecido de si mesmo.

Fernando Sabino, o Demônio é uma macieira, o Demônio é alto, louro, simpático, tem olhos azuis e fuma cigarros americanos. Fernando Sabino, o Demônio tem poltronas, Fernando Sabino. O Demônio toma chá com torradas e tem
varandas no flanco esquerdo e no flanco direito. Deus é cáustico e sem alpendre. Deus é uma caveira: perigo!

Otto Lara Resende
Rio, 24 de outubro de 1954
Noite

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