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Archive for fevereiro \28\UTC 2011

CARNAVAL I

Daqui a pouco é carnaval, e, de novo, vou percebendo as mudanças que o tempo traz. Depois que abandonei meus projetos sacros (lembra que já contei?) caí de boca no salão naquele esquema varre varre varre vassourinha…. eu morava no nordeste e o axé baiano ainda não havia destronado o frevo, portanto…à sombrinha!

A coisa começava logo no Reveillon. Depois da meia-noite o clube abria para o Grito de Carnaval. O salão enfeitado de serpentinas caindo do teto em tal quantidade que era necessário abrir caminho com as mãos como se estivéssemos entrando na floresta. Confetes pelo chão, e as fantasias, os ‘disfarces’.  A orquestra dava o primeiro sinal (orquestra?! sei, sei…) e todo mundo caía na pista, percorrendo aquele grande círculo que, basicamente, é a coreografia de um baile de salão, você já participou, não?! A gente se olha, se beija e se molha de chuva, suor e cerveja… A impressão é que alguém está mexendo um imenso caldeirão com a colher de pau seguindo sempre a mesma direção. O caminho de Meca, quem sabe… que, aliás, nunca se alcança…sempre voltando ao ponto de partida, coisa mais esquizóide, mas, vixe, como era bom!

Evidente que alguém sempre se metia a fazer o caminho contrário, contra a corrente, mas é da natureza humana aspirar a diferenciação e, as vezes, a Colombina (ou o Pierrô) havia ficado para trás, olha o perigo, uma volta inteira no salão pode levar tempo demais, e o demônio está a postos, quem não viu?

Este ano não vai ser igual aquele que passou, eu não brinquei, você também não brincou… onde foram parar as marchinhas? Com certeza muito longe de Salvador. Se é verdade que hoje a garotada já nasce com o gene da informática, é igualmente verdade que o baiano da capital nasce com o DNA do asfalto e do batuque…tira os pés do chão… e, incrível, contamina qualquer criatura que, mesmo descendente da aristocracia inglesa, esteja por ali nessa estação. Exige-se muita saúde, jovialidade e desapego ao corpinho para desfrutar comme Il faut um carnaval na Bahia. Principalmente pelo day after, pelas weeks after, melhor dizendo. Conheço gente que precisou de uma semana inteira para reverter a paralisia dos lábios tantos foram os beijos…e alguns mais desavisados que necessitaram de igual período para colocar os pés de volta no chão com alguma estabilidade. Uma conhecida resolveu casar ali mesmo com um alemão que beijava muito bem e separou antes da Semana Santa quando descobriu que sem os ruídos do axé ele só usava a boca pra comer salsichão e esbein cozido. Acontece.

Voltando aos meus bons tempos, findo o Reveion, começava a espera. Nas tertúlias de domingo, todo o janeiro e fevereiro, lá pelas tantas trocavam o Brotinho Legal pela Máscara Negra. Saía o Calhambeque do Roberto e entrava aquela Canoa que não podia afundar…se a canoa não virar, olé-olê-olá, eu chego lá…(calma, não sou eu que tô velho, o nordeste é que era conservador…) e voltava o caldeirão fumegante onde a bruxa cozinhava em fogo brando o prazer, o descompromisso e a imortalidade.

Voltarei ao assunto.

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Canta, CANTA PASSARINHO, canta, canta miudinho
Na palma da minha mão
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
QUERO PAZ NO CORAÇÃO
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
NA PALMA DA MINHA MÃO

Na palma da minha mão tem os dedos, tem as linhas
Que olhar cigano caminha procurando alcançar
A NAU PERDIDA, o trem que chega, a nova dança
Mata verde, ESPERANÇA, em suas tranças vou voar

PASSARINHO EU VOU VOAR

Meu ALEGRE CORAÇÃO É TRISTE COMO UM CAMELO
É frágil que nem brinquedo, É FORTE COMO UM LEÃO

É todo zelo, é todo amor, é DESMANTELO
É QUERUBIM, é CÃO DE FOGO, é JESUS CRISTO, é LAMPIÃO

PASSARINHO EU VOU VOAR….

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Sábado passado fui ao aniversário de duas amigas queridas, mãe e filha (o eremita tá circulando um bocado neste verão). Ali conheci um casal e a filha, seus vizinhos e, mal sentei à mesa onde estavam, nos tornamos amigos de infância, sabe como é?! Sei que isso acontece, essa empatia e identificação imediatas, mas é sempre surpreendente estarmos à vontade com pessoas que acabamos de conhecer, fora o luxo que é. Ficamos um tempão falando do que gostamos, do que evitamos, para onde viajamos, onde queremos ir, como preferimos estar, o que gostamos de comer, lembrando canções e poesias, são tantos textos. Cerveja gelada, olhos que não inquirem; recebem. Coisas assim, urgentes e banais, apenas plugados na sintonia dos momentos raros.  Bom demais. Ficamos de nos reencontrar. Que seja logo.  

Muitos anos atrás, chegado de pouco a São Paulo, conheci Silvinha, na sala de espera da mesma profissional com quem iria me encontrar. Eu levava flores, rosas, talvez – foi a mãe quem me ensinou lá atrás. Quando nos cumprimentamos – era noite – foi tamanho o encantamento, que tirei uma rosa (vermelha, Silvinha?) do buquê e entreguei a ela de imediato, mudo por toda a beleza. Mais de vinte anos depois, continuamos usufruindo essa fragrância, sorte a minha.  

Existem pessoas que – efetivamente – fazem muita diferença. Tenho algumas; você também, eu sei. Voltarei ao assunto.

Um ótimo final de semana! Se possível, com algumas delas. Teremos sol.

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“Naquele dia, no meio do jantar, eu contei que
tentara pegar na bunda do vento — mas o rabo
do vento escorregava muito e eu não consegui
pegar. Eu teria sete anos. A mãe fez um sorriso
carinhoso para mim e não disse nada. Meus irmãos
deram gaitadas me gozando. O pai ficou preocupado
e disse que eu tivera um vareio da imaginação.
Mas que esses vareios acabariam com os estudos.
E me mandou estudar em livros. Eu vim. E logo li
alguns tomos havidos na biblioteca do Colégio.
E dei de estudar pra frente. Aprendi a teoria
das idéias e da razão pura. Especulei filósofos
e até cheguei aos eruditos. Aos homens de grande
saber. Achei que os eruditos nas suas altas
abstrações se esqueciam das coisas simples da
terra. Foi aí que encontrei Einstein (ele mesmo
— o Alberto Einstein). Que me ensinou esta frase:
A imaginação é mais importante do que o saber.
Fiquei alcandorado! E fiz uma brincadeira. Botei
um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi”.

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MANOEL DE BARROS

Escrever nem uma coisa

nem outra –

a fim de dizer todas –

ou, pelo menos, nenhumas.

Assim,

ao poeta faz bem

desexplicar –

tanto quanto escurecer acende os vagalumes.

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ALESSANDRA por MÁRCIA

com 9 letras PERSPICAZ

com 7 PERDIDA

11 INTELIGENTE

11 DESCONFIADA

9 FAZ GÊNERO

6 ATLETA

9 DEFENDIDA

5 AMIGA

7 LEITORA

7 CURIOSA

8 ANTENADA

10 DOS ANIMAIS

 

 

MARCIA por ALESSANDRA

com 8 letras GENEROSA

9 CUIDADOSA

13 MOÇA DE FAMÍLIA

6 CORTEZ

5 DOIDA

15 EXPERT EM CERVEJA

10 DESGASTADA

11 A ESPONTÂNEA

19 DE BAR A PRONTO-SOCORRO

12 RESTAURADORA

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NUVEM

Tudo o que transita por mim

– nuvem passageira

é o Deus que há.

Mas quando é necessário explicar-me

não há eu

nem deus,

nem nada.

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