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Archive for dezembro \30\UTC 2010

FELIZ ANO NOVO!

Mensagem de ANO NOVO? Vou novamente de Elisa Lucinda, que tem um olho super esperto e faz a POESIA  do cotidiano. 

A gente se encontra em 2011.

TENHA UM GRANDE ANO!

 

 

Termos da nova dramática (Parem de falar mal da rotina)


Parem de falar mal da rotina
parem com essa sina anunciada
de que tudo vai mal porque se repete.
Mentira. Bi-mentira:
não vai mal porque repete.
Parece, mas não repete
não pode repetir
É impossível!
O ser é outro
o dia é outro
a hora é outra
e ninguém é tão exato.
Nem filme.
Pensando firme
nunca ouvi ninguém falar mal de determinadas rotinas:
chuva dia azul crepúsculo primavera lua cheia céu estrelado barulho do mar
O que que há?
Parem de falar mal da rotina
beijo na boca
mão nos peitinhos
água na sede
flor no jardim
colo de mãe
namoro
vaidades de banho e batom
vaidades de terno e gravata
vaidades de jeans e camiseta
pecados paixões punhetas
livros cinemas gavetas
são nossos óbvios de estimação
e ninguém pra eles fala não
abraço pau buceta inverno
carinho sal caneta e quero
são nossas repetições sublimes
e não oprime o que é belo
e não oprime o que aquela hora chama de bom
na nossa peça
na trama
na nossa ordem dramática
nosso tempo então é quando
nossa circunstância é nossa conjugação
Então vamos à lição:
gente-sujeito
vida-predicado
eis a minha oração.
Subordinadas aditivas ou adversativas
aproximem-se!
é verão
é tesão!

O enredo
a gente sempre todo dia tece
o destino aí acontece:
o bem e o mal
tudo depende de mim
SUJEITO DETERMINADO DA ORAÇÃO PRINCIPAL.

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Na primeira segunda-feira de 2011 capítulo inédito de PANDORAA

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PANDORA cap 8

Bernardo vira-se subitamente para olhar. O outro abaixa a cabeça.

Laércio! – Bernardo também elevou a voz.

Laercio tenta se retirar mas Pandora segura seu braço com firmeza

– Parece que ele quer falar com você.

– Não imaginei te reencontrar tão cedo, meu caro. Foi providencial o seu retorno.

– Já estou de saída.

– Precisamos desfazer nosso trato. As coisas mudaram muito desde que conversamos.

– Impossível. Apenas na Radio Bandeirantes é que ‘em vinte minutos tudo pode mudar.’

– Alguns encontros são definitivos, Laércio – ele olha para Pandora, que confirma com o olhar.

Laércio não parece à vontade.

– Acontece que sou profissional. O que foi combinado, combinado está.

– Você não terá nenhum prejuízo, honrarei o compromisso financeiro que é o que mais te interessa, creio eu.

Pandora interfere com a mão na cintura:

– Posso saber do que vocês estão falando?

– De vida – responde Bernardo.

– De morte – completa Laércio.

– Adoro decifrar enigmas, mas estou completamente sem pistas.

Bernardo é incisivo:

– Isso era tudo o que tínhamos a conversar. Terminamos por aqui. Passe bem – estende a mão para o pistoleiro.

Laércio estende a mão e sai sem se despedir.  Um último olhar para Pandora.

– Este homem me assusta – ela comenta em voz baixa.

– Esta noite não acabará jamais – ele completa e a abraça com calma.

Na rua, Laércio liga do celular.  

– O homem desistiu do acerto, patrão.

– Desistiu, assim de cara feito um rato fujão?!

– Não posso mais fazer o serviço. Acabo de ser demitido.

– Mal foi demitido, está de emprego novo. Agora será pra mim que você vai voltar a trabalhar. Estou te contratando pra fazer a vontade daquele matusquela. Mantenha a bala na agulha. Na verdade você apenas mudou de diretor.

Laércio respira aliviado, ele não gosta de deixar nada pela metade.

Na Tailândia, Marco Antônio desliga o celular e entra acompanhado no vapor. Eucalipto.

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O CARTEIRO/BELÉM

Olá,

Final de mais uma temporada em Belém; volto à tarde para São Paulo.

Belém continua como sempre: suando e exalando mangas. Chuva todas as tardes. Grandiosas, bonitas de ver. Ontem, um arco-iris no final da tarde. Ficamos olhando daqui da sacada.

Sábado fomos a ilha de Mosqueiro, a foto aí em cima. Praia de rio. Rio Guamá, volumoso. Doce, as águas claras. Baia do Guajará. Caranguejo e cerveja gelada. Voltamos com a chuva.

O domingo foi de festejos aqui em casa. Montamos um coral em quatro vozes. Foi Silvinha quem me ensinou, uns vinte anos atrás. Vocês gostariam muito de conhecer a letra mas vou deixar pra depois porque vai que tem criança aí na sala. Se bem que são elas as que mais apreciam este coral…minha mãe também.

Minha família é um grande barato.

Um abraço marajoara.

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Quando o assunto é FAMÍLIA, sou óbvia. A família é o meu dia a dia. A casa, o relacionamento, os cuidados diários, a rotina, isso tudo vale imensamente para mim. Ontem, por exemplo, quando terminamos a limpeza da CASA, sentei e fiquei olhando para tudo, me sentindo perfeitamente integrada ao ambiente e à minha VIDA.

Valorizo muito o SER HUMANO. Acho que somos todos irmãos. Criei minhas FILHAS com esses valores mas, com certeza, elas são mais OBJETIVAS do que eu no trato com as pessoas.

Tenho muitos AMIGOS e me orgulho disso. Eles são bem diferentes entre si e têm uma grande importância em minha vida. ADORO AMAR E SER AMADA.

TERAPIA foi importantíssimo pra mim. Encarei VERDADES fundamentais, amparada pela terapeuta. A gordura me intimidou, fiquei complexada, limitada. Não é que esteja completamente à vontade, mas me sinto um pouco mais CONFORTÁVEL comigo mesma.

Minha JUVENTUDE foi maravilhosa. Tive ‘amigos de rua’, vizinhos, crescemos juntos, saíamos juntos, muita festa, família grande, adorava dançar, enfim, aproveitei TUDO. Todo julho em MOSQUEIRO, no rigor do verão, varava a noite jogando vôlei, muita praia, banho de sol, banho de lua, uma MARAVILHA!

Não há o que eu dispense na COMIDA PARAENSE. Adoro a FARINHA, pode ser crua ou farofa. A farofa de minha MÃE é incomparável, aliás ela é uma das maiores quituteiras da cidade. Eu e meus cinco irmãos éramos seus ajudantes na hora de montar o tabuleiro. Claro que ela reservava a nossa parte no negócio. Não fico sem AÇAÍ, almoço açaí pelo menos duas vezes por semana. Peixe frito e camarão com açaí é o que há. Hoje, infelizmente, tudo isso está adaptado à minha realidade atual: açaí com adoçante e aveia. ARROZ PARAENSE (com camarão, tucupi e jambu) é PAI DÉGUA!

Amo BELÉM. Sou bairrista. Gosto do povo daqui. Nós somos apaixonados. Pela comida, o futebol, as praias, a chuva, as MANGUEIRAS. Belém tem CHEIRO DE CHUVA, de folha molhada. Os TÚNEIS DE MANGUEIRA pelas ruas…

Falar em futebol, sou PAISSANDU fanática, de ir ao estádio, gritar, pular, vaiar, EU DELIRO.

De 2011 espero muito TRABALHO no mercado imobiliário. Espero também ‘vencer’ a batalha contra a balança.

Tu me pedes uma mensagem de FIM DE ANO: gostaria que as pessoas ficassem mais atentas à CONVIVÊNCIA porque precisamos urgentemente de PAZ.  

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É NATAL

Quando fui criança, o Natal era esperado com ansiedade. Morava no interior e a noite resplandecia duas vezes no ano: São João e Natal.

Acreditava em Papai Noel. Escrevia-lhe cartas. Vários dias de correspondência. Além de pedir os presentes, fazia um breve apanhado do comportamento durante o ano para justificá-los. ‘Fui bom aluno, não desobedeci a meus pais’, ‘fui à missa aos domingos’ ou ‘apesar daquela briga com o Roberto…’ Ele se mantinha calado, mas era certo que tomava conhecimento do que eu dizia pois, chegada a manhã, as cartas não estavam dentro do sapato.

Quando, na escola, comecei a ouvir dizer que ‘Papai Noel é o pai da gente’, fiquei cabreiro. Botei tocaia. Acordava de noite e ia espreitar o sapato, cadê a carta? Vigiava a janela – em minha casa não havia chaminé, e onde havia?! Depois falei ao meu pai o que estava acontecendo. Ele me disse que deste jeito eu não ia ganhar presente, Papai Noel não gosta de menino que duvida dele. Fiquei no mato sem cachorro, aquela crença ameaçada, e o medo de cair na real. Real?!

Na sala, a árvore que montávamos com minha mãe. Desapareceram aqueles enfeites do vidro mais fino, as cores vibrantes, lembra? Dentro de uma bola vermelha o menino na manjedoura, sinos, velas azuis e lá em cima a ponteira reluzente apontando o céu. Distribuía algodão nos galhos verdes, não sabia que era neve, achava apenas bonito, traje de gala.

Na noite de Natal dormia cedo para não atrapalhar o trabalho do velho. Tentava botar guarda para vê-lo, mas o sono da infância é soberano, mergulhava nele e só acordava na manhã seguinte, os pacotes ao lado da cama. O nome disso é felicidade.

Na calçada, a passarela das novidades. A criançada exibindo os brinquedos. Papai Noel passava em todas as casas, não eram muitas, ele dava conta. Silvânia pedalando sua tonga, lançamento daquele ano, eu às voltas com um caleidoscópio que mostrava imagens incandescentes, Roberto com um caminhão, a carroceria coberta por uma lona, lona mesmo, o vizinho de bicicleta nova, acolá as bonecas das meninas, uma dava um beijo se lhe apertavam os braços. Aquilo sim foram manhãs. A mãe, a custo, nos tirava da calçada para o almoço em família.

Quando cogitei ser santo, ia à Missa do Galo. O sino da igreja despertava gentes e galinhas, e caminhar pela cidade de madrugada era, por si, um evento, as ruas de barro. Na liturgia, precioso exercício de concentração. No interior do Maranhão eu via a noite mágica da Judéia, o deserto, a manjedoura, a estrela, os Reis Magos, e gostava das palavras mirra, incenso e ouro, ofertórios.

Sonhava montar um presépio mas a tia avisava que se montasse um ano teria que montar  sempre, e eu lá sabia o futuro? Melhor evitar. Há uns dez anos, finalmente, montei o primeiro e desde então, chega dezembro, estão todos lá em casa, pastores, ovelhas, camelos, jumentos, o riacho de espelho, pedregulhos. Tem também um morcego e um tatu. Uma coruja. E a grande estrela.

Jamais achei que estas crenças sejam alienantes ou prejudiciais. São mágicas, cerejas na alma. Como Clarice, eu nunca quis a ‘terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada’.

Com o tempo o Natal perdeu boa parte do encanto, falo por mim. Este corre-corre não me remete em nada a uma noite encantada onde, no meio do feno, dos animais e do silêncio, o milagre da vida se renovava.

Desejo que o seu bem estar nesta noite de Natal seja concreto. Desejo igualmente que a MAGIA não o abandone jamais. A alma é quem bem precisa de presente e cuidados.

Falar nisso, já foi dar uma olhada no seu sapatinho?!

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PANDORA cap 7

Ela parou o carro no jardim, debaixo da chuva. Quer falar com ele mas está nervosa.

– Precisamos conversar. Algo me diz que teremos que repensar os planos.

– Sua bola de cristal não havia quebrado? – ele caçoou.

– Não estou brincando. Quero encontrar você o mais rápido possível.

– Espere um pouco, querida. Em dois dias, no máximo, eu te procuro. Inclusive porque estou com muita saudade. – tornou a voz gutural.

– Não mais que isso, por favor.

Leonor desligou o telefone, deslizou-o no peito e recostou-se no banco do carro. Depois abriu os olhos, engatou a primeira e estacionou na garage. Quando desceu, tinha o ar ingênuo e displicente de Poliana-menina. Subiu as escadas para o interior da residência, acendendo as luzes, a passos curtos.

No bar, Charles está animado.

– Você costuma frequentar este bar? Eu e Dora estamos sempre por aqui e não lembro de ter te visto antes.

– Raramente saio à noite. Pendurei as chuteiras faz um tempo.

Pandora passa a mão pelos cabelos de Bernardo e fala devagar, encarando-o nos olhos.

– Que pergunta boba, Tcharles. Bernardo tem um rosto marcante. Eu jamais o teria esquecido.

Por incrível que possa parecer, a espontaneidade e efusividade da mulher não intimidam Bernardo, tampouco o surpreendem. Há ali uma intimidade que não se mensura pelo tempo, e ele os sente ligados há milênios, coisa estranha. Charles percebe a invisível corrente e pede licença para cumprimentar alguém do lado de lá. Gente civilizada é assim.

Dora descansa os braços nos ombros de Bernardo e fala suavemente:

– Espero não ter chegado tarde demais.

Ele estremece. O que ela quer dizer com isso? O que sabe?

Há anos Bernardo está ausente dos jogos amorosos, já não sabe brincar. De qualquer forma, a boca de Pandora tão próxima à sua é um convite. Parece que vai se perder. Contudo, Lenora e sua fidelidade vêm a tona com força suficiente para não deixá-lo dar o próximo passo. Eram centímetros. E um hálito de licor.

Ainda próximo à porta, Laércio se incomoda com a cena. Procura os olhos da mulher mas agora ela tem olhos apenas para o acompanhante. Ele resolve ousar e vai se aproximando devagar até ficar a uma distância razoável de Pandora, às costas de Bernardo. Ela finalmente o vê. Conversava baixinho com Bernardo, a respeito de nada. Reconheciam-se, apenas, constatavam-se.

Pandora alonga a mão no rosto de Bernardo, as unhas vermelhas, e eleva a voz sobre seu ombro.

– Ei, por quê você não chega até aqui?

Bernardo vira-se subitamente para olhar.

O outro abaixa a cabeça.

– Laércio! – Bernardo também elevou a voz.

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