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Archive for outubro \31\UTC 2010

VIAGEM: um voo de liberdade e encontro comigo mesma.  Quando saio pra viajar vou ao encontro do meu desconhecido, mesmo que esteja indo para os mesmos lugares onde vou sempre. NUNCA É IGUAL.

Sempre vou onde isto se dá. É MÁGICO. Nunca sei onde vai acontecer este ‘encontro’, mas este desconhecimento faz parte do jogo.

Para aliviar a tensão sempre paro em algum lugar e peço um CAFÉ. Infalível. Quando estou em viagem (interna e externa) e não estou entendo nada, isso me dá um prumo. Algum prumo. UM CAFÉ.

Sou muito curiosa em relação A MIM. Gosto de me descobrir, me conhecer, JOGAR UMA LUZ. Essas descobertas geralmente acontecem fora do meu país, do meu lugar.

POLÍTICA tem sido uma grande desilusão. Tenho experiências a respeito mas não tenho tempo para falar aqui.

Aos 18 anos fui morar em NOVA YORK.  Fiquei um ano. Retornei ao Brasil, depois voltei. E nunca mais parei de VOLTAR. Cheguei ali, na primeira vez, como quem fosse projetada por um FOGUETE em outro universo. Foi IMPACTANTE. Depois uma enorme DESCOBERTA. Até hoje me sinto em casa naquela cidade. Tenho uma vida paralela ali. Sou urbana, e NOVA YORK é a MECA DOS URBANOS.

O RIO GRANDE tem o que nenhum outro lugar do mundo tem: MINHA FAMÍLIA.

Gosto de me APAIXONAR porque assim me descubro a partir da solicitação da outra pessoa.  Adoro a idéia de ter o OUTRO EM MINHA VIDA.

NÃO desisto de nada fácil. Tenho garra, vou atrás.

Gostaria de não guardar tantas coisas dentro e fora de mim. EU ACUMULO DEMAIS.

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 Mandado de despejo aos mandarins do mundo:

Fora tu reles esnobe plebeu

E fora tu, imperialista das sucatas

Charlatão da sinceridade, e tu, da juba socialista, e tu qualquer outro.

ULTIMATUM a todos eles e a todos que sejam como eles todos.

Monte de tijolos com pretensões à casa

Inútil luxo, megalomania triunfante

E tu BRASIL, blague de Pedro Álvares Cabral que nem te queria descobrir.

Ultimatum a vós que confundis o humano com o popular

Que confundis tudo!

Vós anarquistas deveras sinceros

Socialistas a invocar a sua qualidade de trabalhadores para quererem deixar de trabalhar.

Sim, todos vos que representais o mundo, homens altos PASSAI POR BAIXO DE MEU DESPREZO

Passai, aristocratas de tanga de ouro,

Passai frouxos

Passai radicais do pouco!

QUEM ACREDITA NELES?

Mandem tudo isso para casa, descascar batatas simbólicas

Fechem-me isso a chave e deitem a chave fora.

Sufoco de ter só isso a minha volta.

DEIXEM-ME RESPIRAR!

Abram todas as janelas

Abram mais janelas do que todas as janelas que há no mundo.

Nenhuma idéia grande, nenhuma corrente política que soe a uma idéia grão!

E o mundo quer A INTELIGÊNCIA NOVA

O mundo tem sede de que se crie

O que aí está a apodrecer a vida, quando muito, é estrume para o futuro.

O que aí está não pode durar porque NÃO É NADA.

Eu, da raça dos navegadores, afirmo que não pode durar!

Eu, da raça dos descobridores, desprezo o que seja menos que descobrir o mundo novo.

Proclamo isso bem alto, braços erguidos, fitando o Atlântico

e SAUDANDO ABSTRATAMENTE O INFINITO.

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Nasceu para o que se tornou, mas foi nascido para usar a beca. A mãe quis, o pai incentivou, o professor aplaudiu, um comando. Foi bom aluno. Gostou de saber para que serve a vírgula, diferenciá-la do ponto e compreender a respiração do texto – conhecimento raro – embora jamais tenha compreendido a função da raiz quadrada, ela toda seiva, portanto funda.

Interessou-se mais pelas folhas dos livros e os seus cheiros do que pelas informações, mas, veja, isto também é uma forma de dar conta do recado. Enlevou-se com o movimento de ir à papelaria, escolher lápis de cor, folhas avulsas e os celofanes para encapar livros e cadernos. O sol pleno, as tardes mornas. Para ele, e sem que tivesse conhecimento, esta era a única atitude subversiva, que palavra mais forte. Subversiva, sim, porque transudava o prazer. O mesmo prazer que tantas vezes se encontrava amordaçado no porão escuro e só se manifestava fantasma em noites de tempestades, serpentes no assoalho. Pesadelos.

Apreciava encapar cadernos e livros, observar os besouros e ir ao circo e a papelarias. Mansamente. Diuturno. Também gostava de sarapatel e doce de jaca. Principalmente era curioso observar as pessoas e as cores quase sempre pardas, vez em quando vibrantes, naquele percurso. Elas desafiavam o caos. Todas passarinhos. Ali um rouxinol. Uma mulher que planta, menino comendo terra, piabas de rio. Continuou indo e vindo e duvidando que tivesse nascido para usar a beca, deter o conhecimento, vestir o fraque.

Quando encontrou as tintas e os pincéis, a exultação o deixou humano. Não o fez compreender, mas permitiu que deitasse cores em suas sombras e deixasse florescer o que em sua lavoura estéril seria para sempre semente.  

Tornou-se fecundo.

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Hoje li no jornal que ADÉLIA PRADO acaba de lançar um livro de poesias inéditas depois de quase dez anos. Chama-se A Duração Do Dia, e ela e o marido pegaram o ônibus em Divinópolis e foram ao Rio de Janeiro fazer o único lançamento que contará com sua presença, tanto medo de avião.

Está chegando um novo livro de Adélia Prado, foi o que li esta manhã. Vez em quando o jornal traz uma informação revigorante. Esta página guardei ao abrigo de tudo o que não tiver bom hálito.

Enquanto espero o meu exemplar, relembro este aqui: A CÓLERA DIVINA


Quando fui ferida,
por Deus, pelo Diabo, ou por mim mesma,
– ainda não sei –
percebi que não morrera, após três dias,
ao rever pardais
e moitinhas de trevo.
Quando era jovem,
só estes passarinhos,
estas folhinhas bastavam
para eu cantar louvores,
dedicar óperas ao Rei.
Mas um cachorro batido
demora um pouco a latir,
a festejar seu dono
– ele, um bicho que não é gente –
tanto mais eu que posso perguntar
Por que razão me bates?
Por isso, apesar dos pardais e das reviçosas folhinhas
uma tênue sombra ainda cobre meu espírito.
Quem me feriu perdoe-me.

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Aos dez anos, no interior da PARAÍBA, eu cuidava de duas meninas, de 2 e 4 anos. Adorava elas. Eram minhas BONEQUINHAS. Um dia inventaram que o pai delas iria me ‘catar’ e minha mãe me tirou de lá. Saí chorando, mas nunca me esqueci delas.

Desde esta época ganho o meu DINHEIRO. Nem passa pela minha cabeça ser dependente de alguém. E não escolho trabalho, desde que seja remunerado.

Tenho dois FILHOS. Procuro passar para eles este espírito de INDEPENDÊNCIA. Amo meus filhos acima de tudo, mas não sou dessas mães que ficam corujando filho o tempo inteiro.

Não gostava de COZINHAR, tomei gosto. Faço quase tudo e gosto de inventar. Ultimamente ando interessada em doces, bolos, essas coisas. Tenho boa mão. Falam bem de minha comida, não é?

Sou muito CRÍTICA, além da conta. Preciso parar com isso.

Detesto gente PREGUIÇOSA e sem ATITUDE.

HOMEM precisa ser machão, saber fazer e saber mandar. Homem nhenhenhém não é comigo. Que seja limpo e perfumado, mas que seja HOMEM e tenha ATITUDE, volto a repetir.

SÃO PAULO dá oportunidade para todo mundo que tiver CORAGEM e quiser trabalhar. Você ganha DINHEIRO com qualquer coisa que produzir porque sempre tem alguém pra consumir o seu trabalho.

Não sou muito de amigos, nem de ir na casa dos outros. Se precisar de mim, estou presente, mas cada um no seu quadrado. Gosto mesmo é de fazer as minhas coisas SOZINHA.

Adoro DANÇAR, principalmente FORRÓ. No sábado a noite já sabe onde me encontrar.

Não tenho medo da velhice, acho até que é uma sorte ENVELHECER. Tenho medo mesmo é de doença e de depender dos outros. Quero ser uma VELHA CHIQUE, viu?

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Lembro-me de Déia. A mesma infância, cabelo gruli, bunda dura, sorriso farto.  Fiz vestibular, e antes de receber o resultado, chegando em casa, eu, um novo rapaz, encontrei minha Déia com os cabelos raspados, a cara na janela, sorrindo para os meus planos e me dizendo: – doutor, doutor, doutor. Antes de me ver doutor eu vi sua cara afoita. Seus lábios grossos de preta tenra que imaginei trancar em minha boca, entrar para ali e não sair nunca mais. Assim o fiz. Agora que já me sabia vencedor, gostaria que ficassem todos comentando este assunto lá fora, no terraço, no alpendre, entre canapés e bebidinhas, enquanto eu permanecia dentro daquele mundo roxo e preto, a léguas do que havia conquistado. Na delicadeza dos seus lábios, naquela sofreguidão de línguas, eu lhe esclarecia o que que vem a ser a alimentação das células, as mitocôndrias, os ribossomas, DNA, o conhecimento que me levou àquela conquista. Não sairia nunca daquela boca. Não usufruiria jamais o resultado da minha vitória. Ficaria ali dentro, eternamente, como um dia havia ficado em comunhão com sua mão, seu olho bola de gude e seus dedos finos que se movimentavam com a delicadeza e a espontaneidade  de quem não sabe o que está fazendo.

Lembro-me de Déia.

 

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Passas sem ver teu VIGIA catando a POESIA que entornas no chão…

                             Chico Buarque

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