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Archive for março \31\UTC 2010

Quando a Madre Superiora flagrou-me colando na prova de Português, eu, o mais insuspeito, pôs-se ao meu lado e olhando displicentemente para o que eu escrevia, encostou sua mão na minha e em silêncio retirou o papel da cola, sorriu-me docemente e se retirou devagar. Não havia lugar no mundo que pudesse conter tamanha vergonha. Para demonstrar gratidão multipliquei-me em mil. Foram necessários muitos anos para que me desse conta do que realmente havia acontecido, a que fui exposto por sua cumplicidade e, desde então, compreendo penitências.

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Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é possível fazer sentido.

Eu não:  quero é uma verdade inventada.

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RESSACA?

Semana passada, um amigo me sugeriu que escrevesse aqui, exatamente em uma segunda-feira, alguma coisa a respeito de ressaca, essa prima invejosa das comemorações. Acolhi a ideia e não precisei queimar nenhum neurônio em especial, tampouco recorrer aos alfarrábios da medicina. Foi muito longe dos corredores universitários ou da assepsia dos laboratórios de pesquisa que Danuza Leão escreveu o pequeno mas definitivo tratado a respeito. 

Mesmo que você já conheça vale a pena reler, se for completamente abstêmio leia também, afinal, nunca se sabe, e você não deveria dizer  jamais: desta vodka não beberei.

“Como curá-las?

* penumbra

* ar-refrigerado e cobertor

* um quase silêncio

* uma música tocando baixinho, para impedir de pensar

* Wagner e Beethoven, proibidos. Mozart e Vivaldi pode

Alguém que te adore e que te dê não só apoio moral, mas todos os cuidados materiais. Esse alguém deve cancelar todos os seus compromissos, resolver problemas, ir ao banco, pagar contas (entregando o cheque já preenchido, para você só assinar). Deve falar pouco, pouquíssimo, e olhar para você sem o menor ar de repressão.

Para começar, água. Muita água. Quando voltar a raciocinar, cerveja ou champanhe, num copo grande e muito bonito, mas só um. Após um tempo, o capítulo alimentação. Vai depender, é claro, do que você conseguir pensar em comer. O ideal seria carne, ovos, açúcar, muito açúcar. Proteína e glicose. Mousse de chocolate, doce de leite, se possível na veia. As palavras uísque e vodka não devem ser pronunciadas neste dia perto de você. Não saia da cama, não atenda ao telefone, de mãe e de filho, então, nem pensar. Aliás, só atenda para ouvir boas notícias (a tal pessoa que te adora se encarrega de fazer a triagem). Nada de jornais.

No começo da noite, sem que você tenha saído da cama para nada, um banho de imersão morno, prolongado. Enquanto você está na banheira, a pessoa que te adora faz a cama, troca os lençóis (que deverão ser brancos), dá uma geral no quarto, abre a janela para ventilar, fecha a janela de novo. Quando você volta, uma bela camiseta limpinha, e é só escolher entre os três ou quatro filmes (comédia ligeira) que a pessoa que te adora foi buscar na locadora. Nada de noticiários na TV; nesse dia, é preciso ficar fora desse insensato mundo. Talvez o jornal da noite, aquele bem tarde. Talvez.

A partir do banho, já é aconselhável trocar algumas palavras. Eu disse PALAVRAS, não ideias.

A carência, no dia seguinte a uma grande noitada, é a maior que um ser humano pode sentir. Daí a importância da pessoa que te adora ao seu lado. Mas ou a pessoa que te adora também bebeu na véspera e está sem condições de fazer qualquer coisa por você, ou ela não bebeu e pode não estar te adorando nem um pouco. O ideal então seria uma empregada maravilhosa, com você há anos, habituada a esse tipo de cena. E que te adore, mesmo assim.

E rompa relações – rompa! – com qualquer pessoa que tenha a insensibilidade de nesse dia dizer:  – Você ontem, hein?!”

Tá tudo dito, não está?

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Quem fala que sou esquisito, hermético
É porque não dou sopa, estou sempre elétrico
Nada que se aproxima, nada me é estranho
Fulano sicrano e beltrano
Seja pedra seja planta seja bicho seja humano
Quando quero saber o que ocorre a minha volta
Ligo a tomada abro a janela escancaro a porta
Experimento tudo, nunca me iludo
Quero crer no que vem por ao beco escuro
Me iludo passado presente futuro
Reviro na palma da mão o dado
Presente futuro passado
Tudo sentir de todas as maneiras
É a chave de ouro do meu jogo
De minha mais alta razão
Na seqüência de diferentes naipes

Quem fala de mim tem paixão.

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