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Archive for fevereiro \28\UTC 2010

“Ordem do Desassossego”

 

“Dizem que o poeta Fernando Pessoa é mais amado, lido e celebrado pelos brasileiros do que pelos patrícios portugueses. A afirmação pode não ser verdadeira, mas é fato que Pessoa é O poeta português que mora no coração do Brasil. Talvez por isso a escritora Inês Pedrosa, presidente da Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, tenha instituído a medalha da Ordem do Desassossego, confederação de belo nome e objetivo idem que será distribuída aos grandes divulgadores da obra do poeta por aqui. No dia 8 de março, em cerimônia que acontecerá no Instituto Moreira Salles (IMS), no Rio, as medalhas serão entregues a duas mulheres inegavelmente apaixonadas pelo poeta: a cantora Maria Bethânia e a professora Cleonice Berardinelli. O evento será gravado – convidados especiais lerão trechos de obras – e apresentado pela Casa Fernando Pessoa em festivais literários pelo mundo afora. A homenagem também vai marcar o início de uma parceria entre a instituição portuguesa e o IMS.”

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alessandra

pescador ao lado da ‘cama de anchieta’

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tiuxca e bento

bento vê o mar

    

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Ainda do Caminho de Swann:

 Trate de conservar sempre um pedaço de céu acima de sua vida, meu menino. Tem uma bela alma, de qualidade rara, uma natureza de artista, não a deixe em falta do que lhe é preciso’.

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Eu moro numa pequena vila.

Vila é uma palavra que hoje monto à distância favorecido por uma configuração estética.  Eu moro numa arrebentação do mundo.  A vida é algo a que não se pode dar nome ou adjetivar porque ainda não conheço nomes o suficiente para qualificar algumas coisas.  Moro, sinto o movimento da vida, disto sei.  Não sou externa nem internamente infeliz, mas me ressinto.

Eu me ressinto. Talvez seja esta uma das minhas primeiras percepções,  embora não haja nada externamente que me justifique um incômodo.

Há um rio e nele vou me banhar diariamente com meu pai, meus irmãos, quando ao cair do sol nos encontramos todos na calçada.  Um rio que é um banheiro porque para ali vamos com sabonete, toalha, com nosso barro que vem da poeira das poucas ruas e do qual me sinto impregnado. Para ali eu vou sem minha mãe que prefere a água coletada no barril, o banho doméstico, os pudores. Aquela mãe tão bela em seus riscos exatos de lábios, olhos e mãos.

Para ali eu vou de mãos dadas com meu mundo e com minhas, por enquanto insuspeitadas, expectativas. Vou aprender a nadar.  Eu vou aprender a nadar….

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A Defesa do Poeta

Senhores jurados sou um poeta
um multipétalo uivo um defeito
e ando com uma camisa de vento
ao contrário do esqueleto

 Sou um vestíbulo do impossível um lápis
de armazenado espanto e por fim
com a paciência dos versos
espero viver dentro de mim

 Sou em código o azul de todos
(curtido couro de cicatrizes)
uma avaria cantante
na maquineta dos felizes

 Senhores banqueiros sois a cidade
o vosso enfarte serei
não há cidade sem o parque
do sono que vos roubei

 Senhores professores que pusestes
a prémio minha rara edição
de raptar-me em criança que salvo
do incêndio da vossa lição

 Senhores tiranos que do baralho
de em pó volverdes sois os reis
sou um poeta jogo-me aos dados
ganho as paisagens que não vereis

 Senhores heróis até aos dentes
puro exercício de ninguém
minha cobardia é esperar-vos
umas estrofes mais além

 Senhores três quatro cinco e Sete
que medo vos pôs por ordem?
que pavor fechou o leque
da vossa diferença enquanto homem?

 Senhores juízes que não molhais
a pena na tinta da natureza
não apedrejeis meu pássaro
sem que ele cante minha defesa

 Sou uma impudência a mesa posta
de um verso onde o possa escrever
ó subalimentados do sonho!
a poesia é para comer.

 
Natalia Correia (13 de setembro de 1923/16 de março de 1993) foi uma intelectual, poeta e ativista social portuguesa.

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    Sociedade

O homem disse para o amigo:
– Breve irei a tua casa

e levarei minha mulher.

O amigo enfeitou a casa
e quando o homem chegou com a mulher,
soltou uma dúzia de foguetes.

O homem comeu e bebeu.
A mulher bebeu e cantou.
Os dois dançaram.
O amigo estava muito satisfeito.

Quando foi hora de sair,
o amigo disse para o homem:
– Breve irei a tua casa.
E apertou a mão dos dois.

No caminho o homem resmunga:
– Ora essa, era o que faltava.
E a mulher ajunta: – Que idiota.

– A casa é um ninho de pulgas.
– Reparaste o bife queimado?
O piano ruim e a comida pouca.

E todas as quintas-feiras
eles voltam à casa do amigo
que ainda não pôde retribuir a visita.

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