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Archive for janeiro \31\UTC 2010

ÁLBUM III

paulistas no RIO

                                                                                                                     meus pais

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ÁLBUM II

will e bento

fernando e jade

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minha tiuxca e mamãe

eu e meu pai

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Nosso primeiro vídeo aqui.

Eu estava lá. Era a primeira vez que assistia a Bethânia  ao vivo. Gravação de um programa para a TV. Cantaram, naquela noite, Chico, Nana Caymmi, entre outros.  Teatro Bandeirantes super lotado.

Ela cantou apenas esta canção. Encerrando a noite.

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Estava revendo alguns contos do livro O Calor das Coisas, de Nélida Piñon, e cheguei – outra vez – ao Disse um Campônio à Sua Amada, de minha predileção, e ao qual volto sempre. Inevitável trazê-lo aqui. Escolhi o trecho final.

 Se ainda não o conhece, estenda-lhe a mão.

 

“Amanhã é sexta-feira, talvez regresses para tomar meu coração. Como das outras vezes.

Só que a cada volta tua, e sempre que te oferto o coração, sinto que te tenho como se te perdesse. Tenho-te apenas o tempo de acostumar-me a perder-te para sempre.  Assim, eu faço discreto pedido, não me arraste contigo quando te fores. Ou não me aceites, ainda que te peça para seguir o teu caminho. Não quero despojar-me de um coração que te ofereci com tanta opulência.

Mas, se o quiseres realmente levar contigo, deixes ao menos algumas de suas fibras em minha casa. Com elas apenas hei de encontrar um outro retrato vivo que, sem me desprover, há de me fazer derramar lágrimas de alegria, enquanto eu lhe esteja propondo os últimos pedaços de coração que meu corpo sedento de amor ainda produzirá.

Do teu camponês que se despede sem saber que é para sempre.”

 

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O batom escarlate escapou de sua mão e foi se ter abaixo da pequena cômoda sobre a qual ficava a seiva de alfazema, os talcos e as presilhas. Ritinha tirou do chão o batom e, olhos no espelho, deslizou-o nos lábios finos, excitada pelo encantamento do que é o gesto executado pela primeira vez. Juntou o segundo dedo ao polegar e, numa firmeza de mestre do desenho, começou a delinear sua boca. Uma boca nova. Compatível com a novidade de sua vida repentinamente povoada por furacões intempestivos, tempestades sem sossego e tufões devastadores.

Deslizou a mão sobre os cabelos pretos e lisos – um afago – seguindo o ritual diário que precedia o momento de dormir. Pararia por aí estas mesuras, mas na boca da noite, a paixão em febre, apenas tragédia imprevisível seria capaz de detê-la. Um risco no espelho, desde que este tombara tempos atrás, em dia de tempestade. Outras mulheres, ciosas de outras verdades, atribuiriam a isto descompassos. Ameaças, contudo, não perambulavam pelo coração irrequieto de Ritinha que, aos quatorze anos, continuava desenhando na boca o porvir de sua vida futura, vida nova, amores, amores.

A noite é de lua e estrelas. A Dalva, Os Três Reis Magos, o Cruzeiro do Sul. O pai apontava o ceu em sua infância logo ali, Ritinha contornava com o dedo os desenhos brilhantes, desafiando verrugas. Pouco depois lamentaria a ausência do pai, as estrelas opacas, o súbito silêncio de uma grande noite inexplicável.

Mas, fazia pouco, uma lua gigante retornou à escuridão quando os olhos da menina cruzaram, desprevenidos, os olhos do homem que acendia o cigarro de palha sentado no banco da praça à Ave Maria. Havia ali, sob sobrancelhas grossas e desalinhadas, qualquer coisa de sangue indelével, e as trombetas soaram céleres, anunciando o inevitável. Ei-lo como se a aguardasse há séculos. O homem. O homem voraz e cruento. Talvez doce.

Ritinha fechou a porta do quarto, atravessou a pequena sala de chão de barro, e ganhou a rua salpicada de estrelas e pirilampos. Seguiu em passos magros até a beira do rio e ficou à espera. Uma coruja piou da goiabeira, sapos coaxaram no leito, um peixe num salto desenhou uma espiral prateada.

O passo do tempo é inalcançável.  A lua movimentou-se devagar até ser ofuscada lentamente pelos primeiros raios do sol. O sol masculino e viril.

O homem não veio. Ritinha, lua ofuscada e sem brilho, entrou no rio devagar e foi lavar o abandono. O rio a afaga desde sempre.

Voltou em seguida para casa, um coração ganindo no peito.

Ao entrar em seu quarto de reboco, lá em cima, no caibro mais alto, o morcego de pernas encolhidas, asas abertas como quem prenuncia um voo, rugas alongadas pelo corpo inteiro. O morcego. Ritinha levou a mão à boca para abafar o grito, mas o sobressalto, embora mudo, precipitou as asas do animal, que desapareceu pela janela aberta, todo em susto; o espelho finalmente estilhaçou-se no chão.

Mal raiado o dia, no nordeste do Brasil o sol era uma bola de fogo.

Ritinha carpiu este dia sem percebê-lo.  Ajudou o irmão na lavoura, varreu a casa, deu de comer ao cachorro sem, contudo, projetar os seus olhos. Trancafiada em si mesma, intuiu, pela primeira vez, o fardo de existir. Não faz parte, não interage, apenas é.

Um arrepio a acompanhou jornada adentro.

Noitinha, voltou ao terreiro, subiu na grande pedra de cimento com musgos e, com a cuia de alumínio, lavou o suor. A chita molhada realçando borboletas coloridas em suas pernas agachadas.

Chegou ao quarto e, balançando na viga, novamente ele, afiados caninos. Pois ela encarou em desafio os olhos miúdos de bolinhas pretas. Melancólicos. Ternos. De súbito, um pássaro. Uma águia. Talvez um falcão abrindo-lhe, finalmente, as asas do abraço.

Ela fechou os olhos e assoprou a lamparina. Pela primeira vez vai tirar os pés deste chão de barro e, eternamente peregrina, voar ao mais alto. Toda ela lua. Vermelha.

A jugular é uma fêmea que espera.

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POESIA

Sem saber exatamente por onde começar aqui, optei por um Bilac, parnasiano, o ‘príncipe dos poetas brasileiros’.  É bonito.

Uma novidade para mim também.

Nel mezzo del camin… (Olavo Bilac, 1888)Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha…

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo… Na partida
Nem o pranto os teus olhos umedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo.

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